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Blocos de saúde mental promovem inclusão e quebram preconceitos no Rio

Blocos da saúde mental promovem inclusão no carnaval do Rio, reunindo usuários, familiares e profissionais em desfiles nas zonas Oeste, Norte e Jacarepaguá

30/01/2026 - Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão. Bloco Zona Mental. Bloco Loucura Suburbana. Foto: Loucura Suburbana/ Pâmela Perez
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  • Blocos da saúde mental no Rio promovem inclusão na folia, reunindo usuários, familiares, profissionais de saúde e comunidade em diferentes regiões da cidade.
  • Zona Mental, criado em 2015 para reintegração social via música, arte e carnaval, desfila em 6 de fevereiro, às 16h, partindo da Praça Guilherme da Silveira (Ponto Chic), em Bangu.
  • Tá Pirando, Pirado, Pirou! comemora vinte e um anos em 2026 com desfile em 8 de fevereiro, concentração às 15h na Avenida Pasteur (Urca); bate junto com Portela e blocos convidados.
  • Império Colonial, bloco do Museu Bispo do Rosário, desfila em 10 de fevereiro, concentração às 14h30 na Praça Nossa Senhora de Fátima (Jacarepaguá); enredo homenageia Arthur Bispo do Rosário e reúne cerca de 20 integrantes.
  • Loucura Suburbana desfila em 12 de fevereiro no Engenho de Dentro (Zona Norte), enredo “Baluartes, Território e Loucura”; abertura de barracão para fantasias e maquiagem gratuita, com expectativa de mais de 3 mil foliões.

O carnaval do Rio de Janeiro ganha uma dimensão social com blocos de saúde mental que unem usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade local. A proposta é ocupar diferentes pontos da cidade, ampliar a inclusão e desmitificar o estigma relacionado aos transtornos psíquicos.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as agremiações passam a ser espaço de conscientização, além de promover convivência, cuidado e cidadania entre os participantes. A iniciativa ressalta que o direito à cultura e à alegria vale para todas as pessoas, independentemente de dificuldades psíquicas.

Os blocos mantêm atividades ao longo do ano, como oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão. Essas ações fomentam a expressão artística e fortalecem o diálogo com a sociedade sobre inclusão, respeito às diferenças e cuidado coletivo.

Zona Mental

Zona Mental é o bloco mais recente, criado pela Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste. O objetivo é promover reintegração social por meio da música, arte e carnaval desde 2015, com desfile iniciado em 2017.

Em 2026, o desfile ocorre no dia 6 de fevereiro, às 16h, na Praça Guilherme da Silveira (Ponto Chic). O percurso segue por ruas de Bangu, partindo do local de concentração.

A presidência é compartilhada entre a musicoterapeuta Débora Rezende, do Caps Neusa Santos, e a artista Rogéria Barbosa, usuária do mesmo CAPS. O bloco reúne cerca de 14 ou 15 serviços da rede de saúde da região.

Participam ainda artistas de samba de escolas como Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel. Em 2026, o tema homenageia os nordestinos da Zona Oeste e o samba vencedor relembra Hermeto Pascoal.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!

O bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! chega aos 21 anos em 2026, reforçando a celebração de 25 anos da Lei Antimanicomial (Lei 10.216/2001). O desfile está marcado para 8 de fevereiro, com concentração às 15h na Avenida Pasteur, Urca, em frente à Unirio.

A homenagem principal recai sobre o médico italiano Franco Basaglia, líder da reforma psiquiátrica. O movimentoitaliano influenciou ideias de psiquiatria democrática no Brasil, com o Manifesto de Bauru e a criação do Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Apoiam o bloco a bateria da Portela e dois blocos convidados: Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor. O coletivo reúne pacientes, familiares e profissionais da saúde mental.

Império Colonial

O Império Colonial presta homenagem a Arthur Bispo do Rosário, artista plástico diagnosticado com esquizofrenia que teve passagem pela Marinha, pelo boxe e pela Colônia Juliano Moreira. O bloco foi criado em 2009 pelo Museu Bispo do Rosário, hoje sediado no Cecco Pedra Branca.

Acompanhando a mudança de sede, o enredo de 2026 foi elaborado por um usuário do Caps Jovelina Pérola Negra, Alex de Repix. Pela primeira vez, o bloco terá alas, sinal de amadurecimento da agremiação.

O desfile ocorre em 10 de fevereiro, às 14h30, concentrando-se na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá, Zona Oeste. O bloco é formado por cerca de 20 pessoas, entre bateristas, profissionais de saúde mental e usuários.

No Carnaval anterior, o Império Colonial fez baile em vez de desfile de rua, com 200 pessoas. A expectativa é manter a participação do público local e ampliar a participação de usuários e trabalhadores da região neste ano.

Loucura Suburbana

Loucura Suburbana define seu enredo para 2026 como Baluartes, Território e Loucura. O desfile acontece em 12 de fevereiro e promete mobilizar mais de 3 mil pessoas, segundo a coordenação.

O bloco é um dos mais antigos, iniciado em 2001 no Engenho de Dentro, Zona Norte. A coordenadora Ariadne Mendes afirma que o tema reflete raízes comunitárias e vida no bairro, com o objetivo de fortalecer vínculos e memória local.

Entre as atrações, o grupo mantém um barracão aberto para quem quiser se fantasiar no dia do desfile e oferece maquiagem carnavalesca gratuita. A iniciativa reforça o espírito de inclusão e participação ampla na folia.

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