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Pede destituição de conselheiro da AGO que liderou voto contra Nan Goldin

Carta aberta pede demissão de conselheira que bloqueou aquisição de Nan Goldin no AGO; museu anuncia divisão de comitês de arte moderna e contemporânea

The main entrance to the Art Gallery of Ontario in Toronto
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  • Um comitê de curadoria moderno e contemporâneo da Galeria de Arte de Ontario votou, por onze a nove, contra a aquisição da obra de Nan Goldin, após acusações de antisemitismo contra a fotógrafa.
  • Judy Schulich, trustee que instigou a votação, é financiadora relevante do museu e executiva da Schulich Foundation; representantes dela não comentaram.
  • A AGO planejava comprar a obra em parceria com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center, mas desistiu do acordo em meio à controvérsia.
  • A reação incluiu a renúncia do curador de arte moderna e contemporânea responsável pela negociação, além de duas pessoas voluntárias do comitê; a AGO anunciou mudanças na estrutura do comitê.
  • Um abaixo-assinado público, com apoio de Goldin e de organizações judaicas, pediu maior transparência, independência curatorial e a renúncia de Schulich.

A Art Gallery of Ontario (AGO), em Toronto, está no centro de uma crise política e cultural após a decisão de uma comissão de curadoria de modernidade e arte contemporânea de veto à aquisição de uma obra de Nan Goldin. A compra seria realizada em parceria com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center, mas foi encerrada em meados de 2025. A decisão foi tomada sob acusações de antisemitismo contra a fotógrafa, que é judia americana e crítica de ações do governo israelense.

A revelação inicial apontou que Judy Schulich, integrante do conselho e financiadora importante da AGO, teve papel decisivo no adiamento da aquisição. Schulich atua na Schulich Foundation, uma das maiores fundações privadas do Canadá. Representantes da fundadora não responderam aos contatos de imprensa.

A notícia foi ampliada por reportagens subsequentes que indicam que um participante da reunião criticou Goldin comparando-a a Leni Riefenstahl e a qualificou de mentirosa, com base em posicionamentos da artista em favor dos palestinos. A AGO já possuía três obras de Goldin em seu acervo.

Medidas e mudanças institucionais

Após o episódio, anunciada a split do comitê responsável, com a criação de duas comissões distintas para arte do século XX e XXI, previstas para ocorrer ainda em 2026. O objetivo é reforçar governança e evitar interferência de doadores em decisões curatorias.

O diretor da AGO, Stephan Jost, destacou a posição da instituição como museu público, afirmando que a pluralidade de opiniões faz parte do funcionamento. Ele enfatizou o foco na missão do museu e no diálogo respeitoso, sem comentar casos específicos.

Pelo menos dois desdobramentos ocorreram no âmbito interno: o curador de arte moderna e contemporânea, que defendia a aquisição, pediu demissão no ano anterior, e dois voluntários da comissão também resignaram. A AGO comunicou que revisará seus procedimentos para reforçar transparência e governança.

Reação pública e contexto

Uma carta aberta, organizada por coalizão de organizações judaicas, reuniu centenas de assinaturas até 1º de fevereiro e pediu maior transparência e independência curatorial, além da saída de Schulich do conselho. A carta acusa o uso de poder financeiro para censurar artistas e impor decisões, o que seria contrário à liberdade artística.

Nan Goldin comentou à imprensa que a influência de doadores pode criar imunidade institucional frente a casos de censura, questionando as prioridades do museu. A AGO mantém posição de aprimorar seus mecanismos de governança e diálogo entre áreas curatoriais e governança.

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