- Rui-Siang Lin, fundador do Incognito Market, foi condenado a trinta anos de prisão federal por operar uma operação de narcóticos com criptomoeda de quase $105 milhões; a sentença foi anunciada pelo DOJ.
- O marketplace operava entre outubro de 2020 e março de 2024, processando mais de 640 mil transações em criptomoedas de mais de 400 mil compradores.
- O sistema de pagamento proprietário, chamado “Incognito Bank”, gerenciava transações em BTC e Monero, com uma comissão de cinco por cento em cada venda; Lin ficou com mais de $6 milhões em lucros de taxas.
- Em março de 2024, Lin fechou o site em um exit scam, levando pelo menos $1 milhão em depósitos de usuários e exigindo pagamentos de extorsão para não publicar históricos de transações.
- Lin foi preso no aeroporto JFK, em 18 de maio de 2024, após falhas de segurança que o ligaram à operação; a investigação envolveu várias agências, incluindo FBI e DEA.
Rui-Siang Lin, de 24 anos, fundador do marketplace de drogas darknet Incognito Market, foi condenado a 30 anos de prisão federal nos EUA por operar uma operação de narcóticos impulsionada por criptomoedas que movimentou cerca de 105 milhões de dólares entre 2020 e 2024. O caso envolve o uso de uma rede de pagamentos proprietária em criptomoção para transações entre compradores e vendedores. A condenação foi anunciada pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Segundo a justiça, Lin gerenciou a plataforma sob o apelido “Pharoah” entre outubro de 2020 e março de 2024. A operação processou transações com Bitcoin e Monero, por meio de uma carteira custódia chamada Incognito Bank. Foram mais de 400 mil compradores cadastrados e cerca de 640 mil transações registradas. O tribunal também determinou a perda financeira de 105 milhões de dólares.
O juiz federal Colleen McMahon, da Corte do Distrito Sul de Nova York, descreveu o caso como o mais grave episódio de crime com drogas que enfrentou em quase três décadas no cargo, classificando Lin como uma figura central de uma rede criminosa. Lin admitiu culpa em dezembro de 2024, respondendo por organização criminosa contínua, conspiração narcótica e lavagem de dinheiro.
A acusação aponta que Lin facilitava a venda de milhares de quilos de cocaína e metanfetamina, além de outras substâncias controladas, incluindo comprimidos com fentanyl. Em março de 2024, ele encerrou o marketplace com um golpe conhecido como exit scam, retirando pelo menos 1 milhão de dólares de depósitos de usuários e ameaçando divulgar históricos de transação caso vendedores pagassem taxas de extorsão.
A investigação revelou que Bitcoin da carteira administrativa da Incognito foi convertido em Monero e transferido para uma conta de câmbio central registrada em seu nome, com documentos de identificação chinesos. A prisão ocorreu no Aeroporto JFK, em 18 de maio de 2024, quando Lin embarcava para Singapura.
A carteira Incognito Bank e funcionamento
O núcleo da operação era a carteira criptográfica custodial Incognito Bank, que permitia depósitos em BTC ou Monero em contas no local. Transações eram processadas internamente entre contas de compradores e vendedores, com uma comissão de 5% sobre as vendas. Dados judiciais indicam que Lin contabilizou mais de 6 milhões de dólares em lucros de taxas.
Em março de 2024, Lin encerrou a plataforma em um exit scam, levando ao menos 1 milhão de dólares retidos em depósitos de usuários e cobrando supostas taxas de extorsão para não publicar históricos de transação. A investigação indicou que recursos de criptomoedas foram rastreados até a carteira administrativa e, depois, para a conta pessoal de Lin.
Contexto processual e desdobramentos
O Ministério da Justiça indicou que Lin operava o marketplace com foco no lucro, em detrimento da saúde pública. A ação de seus advogados destacou que o aparato tecnológico de criptomoedas não é, por si, lei menos, e que as autoridades mantêm prioridade em casos de narcóticos e terrorismo. A sentença ocorre mesmo após mudanças na estratégia de fiscalização de criptomoedas pela Justiça. No futuro, as autoridades devem acompanhar desdobramentos ligados a operações semelhantes.
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