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Segurança, moradia e saúde: principais demandas de moradores de favelas

Favela: moradia, saúde e saneamento lideram demandas para 2026; maioria busca ir e vir com tranquilidade e políticas públicas mais eficazes

Foto: Roberto Rocco TU Delft/Wikimedia Commons
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  • Pesquisa Data Favela entrevistou quatro mil quatrocentos setenta e um moradores de favelas com mais de dezoito anos, entre 11 e 16 de dezembro de 2025.
  • Para 2026, as principais aspirações são: casa melhor (31%), saúde de qualidade (22%), ingresso dos filhos na universidade (12%) e segurança alimentar (10%).
  • Em infraestrutura, saneamento básico (26%), educação (22%) e saúde (20%) são as áreas mais mencionadas para melhoria.
  • Perfil dos participantes: a maioria tem entre 30 e 49 anos (58%), cerca de 60% são mulheres e 82% se identificaram como negros (49% pardos, 33% pretos).
  • Do total, 56% afirmaram não receber nenhum benefício do governo; entre os que recebem, o Bolsa Família/Auxílio Brasil aparece com 29%.

A pesquisa Sonhos da Favela, realizada pelo Data Favela, ouviu 4.471 moradores de favelas em todas as regiões do Brasil, entre 11 e 16 de dezembro de 2025. O foco esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo, com objetivo de mapear necessidades e expectativas para 2026.

Os principais resultados apontam que, entre as grandes aspirações, estão dignidade e bem-estar básico. O desejo de ter uma casa melhor lidera os planos para o próximo ano, seguido pela saúde de qualidade, acesso à universidade para os filhos e segurança alimentar.

Cléo Santana, copresidente do Data Favela, comenta que o estudo reconhece a favela como espaço de inteligência e inovação, não apenas de problemas. Ouvir os moradores busca influenciar políticas públicas, relações com o setor privado e a cobertura jornalística sobre as periferias.

Perfil sociodemográfico

A maioria dos entrevistados tem entre 30 e 49 anos (58%). Jovens de 18 a 29 somam 25%, e pessoas acima de 50 correspondem a 17%. Cerca de 60% são mulheres; 75% se identificam como heterossexuais.

Oito em cada dez moradores se identificam como negros (49% pardos, 33% pretos) e brancos representam 15%. Sobre escolaridade, 8% têm ensino fundamental completo; 35% ensino médio; 11% superior; 5% pós-graduação.

Salário médio aponta que 60% vivem com até um salário mínimo. 27% recebem entre R$ 1.521 e R$ 3.040, e 15% ganham acima de R$ 3.040. Em relação ao trabalho, 30% têm carteira assinada, 34% estão informais, 17% estão desempregados e 8% estão fora da força.

Sob o recorte de benefícios, 56% não recebem nenhum auxílio governamental. Entre os que recebem, o Bolsa Família/Auxílio Brasil aparece com 29%.

Infraestrutura territorial

Quando questionados sobre mudanças desejadas em 2026, saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%) foram as respostas mais frequentes.

Ao avaliar esporte, lazer e cultura, 35% consideram as opções existentes ruins ou muito ruins, e 32% classificam como regulares.

Desafios de raça e gênero

Metade dos entrevistados aponta que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% afirmam que não há esse impacto.

Entre as mulheres, sete em cada dez destacam violência doméstica e feminicídio como principal desafio, seguidos de dificuldade no emprego (43%) e apoio aos filhos (37%).

Para políticas públicas, maior prioridade para as mulheres envolve inserção no mercado de trabalho (62%), educação contra machismo (44%), delegacias com atendimento 24h (43%) e saúde da mulher (39%).

Segurança pública

Sobre fontes de proteção contra a violência, 27% confiariam na Polícia Militar, 11% na Polícia Civil, 7% em facções locais, enquanto 36% apontam nenhuma instituição como confiável.

Quanto à presença policial na favela, 24% não responderam, 25% afirmaram que a presença não altera a sensação de segurança, 13% sentiram medo e 22% se sentem mais seguros com o policiamento.

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