- Em 2026, o conceito de enshittification (deterioração de produtos e serviços digitais para favorecer lucro) ganha um contraponto: a unshittification, desejo de reparo e de humanização da experiência digital.
- O termo enshittification foi criado por Cory Doctorow para explicar a queda gradual da qualidade conforme plataformas priorizam lucro, escala e retenção sobre a experiência do usuário.
- A American Dialect Society já o nomeou palavra do ano em 2023, e o debate acompanha a saturação de feeds cheios de anúncios, algoritmos de retenção e menor destacar de conteúdo relevante.
- A resposta atual envolve consumidores, criadores e marcas buscando menos eficiência automática e mais autenticidade, com a IA servindo como apoio, não substituição, para vozes humanas.
- No mercado criativo, passa a valorizar-se storytelling humano, formatos menos roteirizados e vazios de significado são substituídos por conteúdos com vulnerabilidade, transparência e presença humana.
Em 2026, um termo que nasceu da crítica à economia digital migrou de jargão técnico para síntese cultural do nosso tempo. Enshittification descrevia o desgaste de produtos e serviços digitais, impulsionado pelo lucro em detrimento da experiência do usuário. Agora surge o contraponto: unshittification, um movimento que busca reparo e humanidade na era da tecnologia.
A discussão acompanha a percepção de que a experiência digital se tornou excessiva e genérica. Consumidores, criadores e marcas passam a reivindicar menos eficiência automática e mais autenticidade, narrativas pessoais e conexões reais. O termo ganhou força como resposta cultural ao cenário de feeds poluídos, anúncios invasivos e algoritmos voltados à retenção.
O que é enshittification?
O termo foi cunhado pelo escritor e jornalista Cory Doctorow, para explicar a deterioração progressiva de plataformas digitais. Em etapas: inovação inicial, reorganização de sistemas para atender interesses comerciais e, por fim, piora da experiência para usuários e criadores. Estudos citados apontam casos como resultados patrocinados dominando buscas, alcance orgânico reduzido e marketplaces que privilegiam produtos próprios.
O movimento unshittification
A unshittification não pertence a um único autor. Surge de círculos culturais e de marketing que desejam recuperar valor, confiança e estética humana na cultura digital. O objetivo é reposicionar a tecnologia como meio, não como fim, elevando formatos mais humanos e menos padronizados. A expressão ganhou adesão conforme o cansaço com conteúdos replicáveis e baixa densidade emocional.
Saturação digital e mudança de comportamento
Em 2026, o volume de conteúdo cresce, muitas vezes automatizado, gerando ruído e cansaço mental. Ao mesmo tempo, a população passou a valorizar formatos menos roteirizados e mais imperfeitos: newsletters autorais, podcasts íntimos e experiências reais. A busca por autenticidade deixa de ser tendência e passa a critério de escolha e sobrevivência na disputa por atenção.
Impactos no mercado criativo
No marketing, campanhas que privilegiavam apenas performance perdem força frente a iniciativas com storytelling humano e participação do público. Estética ganha toques de imperfeição e referências artesanais, em vez de perfeição algorítmica. A unshittification é interpretada como uma transformação na relação entre consumo, criação e tecnologia, devolvendo protagonismo à criatividade humana.
Observação final
A análise consolidou a percepção de que tecnologia pode amplificar criatividade quando utilizada como apoio, não como substituição. As mudanças são vistas como uma resposta estratégica de marcas e criadores diante de um ecossistema saturado e menos tolerante a conteúdos vazios. A observação refere-se a debates recentes, incluindo relatos de criadores e especialistas, como a análise publicada por criadora de conteúdo no TikTok mencionada no encerramento do texto base.
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