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Facções ampliam atuação para garimpo ilegal na Amazônia

Facções como CV e PCC ampliam atuação na Amazônia, indo do tráfico a garimpo e madeira ilegais, financiando violência e fragilizando comunidades

Com o isolamento, comunidades inteiras — de cidades de pequeno e até médio porte a vilarejos ribeirinhos e aldeias indígenas — ficam reféns dos desígnios dos grupos criminosos armados. (Foto: Infografia/Gazeta do Povo a partir de imagem de Felipe Werneck/Ibama)
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  • Facções criminosas como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital e Família do Norte expandem atuação na Amazônia para garimpo, desmatamento e pesca ilegais, além do tráfico de drogas.
  • Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na 4ª edição de Cartografias da Violência na Amazônia, mostra presença de facções em 344 de 772 cidades da Amazônia Legal, aumento de 32% em relação a 2024.
  • A região do Alto Solimões, área estratégica Brasil–Peru–Colômbia, tem 281 mil habitantes (54% indígenas) e é alvo de atuação de facções em seis dos nove municípios.
  • O ouro funciona como moeda-chave para financiar a compra de pasta-base no Peru e na Colômbia; garimpo e outras atividades ilegais ajudam a lavar dinheiro e manter o tráfico.
  • Para enfrentar o problema, o estudo recomenda coordenação entre polícias, órgãos ambientais e Receita Federal, rastreamento de ouro e madeira ilegais, infiltração em redes criminosas e proteção a denunciantes.

Na esteira das rotas de tráfico de drogas que ligam Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela ao Brasil, facções atuantes na Amazônia ampliam o leque de crimes. Garimpo, desmatamento e pesca ilegais passam a figurar com as mesmas prioridade do narcotráfico. O impacto atinge comunidades ribeirinhas e povos indígenas.

O estudo Cartografias da Violência na Amazônia, 4ª edição, aponta que grupos como CV, PCC e Família do Norte avançam na região. A pesquisa é fruto de parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Instituto Clima e Sociedade, o Instituto Itaú, o Instituto Mãe Crioula e o Laboratório Interpretativo Laiv e foi divulgado no fim de 2025.

O Alto Solimões, área estratégica na tríplice fronteira Brasil–Peru–Colômbia, é destacado no relatório. A região abriga cerca de 281 mil pessoas, sendo 54% indígenas, com forte dependência de recursos públicos e baixa presença estatal. O CV atua em seis dos nove municípios locais.

Contexto regional

A Amazônia Legal contempla 772 cidades, com 344 já registrando presença de facções. A expansão representa 45% dos municípios, um aumento de 32% frente a 2024. Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Pará, Amapá, Tocantins e Maranhão são os estados afetados.

O relatório descreve o corredor fluvial como núcleo da logística de tráfico. Rios, igarapés e sazonalidade favorecem o deslocamento de drogas, ouro, madeira e outros ilícitos, dificultando a fiscalização e reforçando a interação entre atividades criminosas urbanas e florestais.

Desdobramentos operacionais

A articulação entre tráfico de drogas e crimes ambientais ocorre por meio de controle de vias, pedágios ilegais e alianças com garimpeiros, madeireiros e grileiros. A corrupção de agentes públicos facilita a continuidade das atividades ilícitas.

Para enfrentá-las, o documento recomenda ações integradas entre polícias, órgãos ambientais e Receita Federal. Medidas incluem rastreamento de ouro e madeira, infiltração para alcançar lideranças e proteção a denunciantes para desmontar a rede financeira do crime.

O ouro figure como peça central para financiar a compra de pasta-base na fronteira com Peru e Colômbia. O garimpo, a extração de madeira e a pesca predatória aparecem como componentes de um portfólio que serve à lavagem de dinheiro e à expansão do tráfico.

Perspectivas e impactos

Especialistas ressaltam que o desafio envolve governança territorial, soberania e segurança pública. A interiorização das dinâmicas criminosas reforça a necessidade de cooperação entre estados e cooperação regional para reduzir a vulnerabilidade das comunidades.

O delegado Edson Pinheiro dos Santos Júnior, que coordena ações de segurança, enfatiza que o crime organizado se fortalece com o dinheiro proveniente das atividades ilegais. A redução de riscos depende de uma estratégia integrada e de proteção a denunciantes.

A reportagem aponta que o quadro é dinâmico e exige monitoramento contínuo. A ampliação da presença de facções na Amazônia reforça a relevância de políticas públicas eficientes, com foco em repressão, fiscalização ambiental e cumprimento da lei.

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