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Sete anos após pior desastre de barragens, mineração no Brasil se recupera

Jangada reaberta, perto de nascentes que abastecem centenas de famílias, aumenta o risco de queda no nível do aquífero e desabastecimento

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  • Sete anos após Brumadinho, a comunidade de Jangada, em Brumadinho (Minas Gerais), depende de nascentes locais para abastecimento e mantém um sistema de água gerido por uma associação comunitária sem apoio governamental.
  • A mina Jangada, vizinha às nascentes, reabriu em agosto de 2025, menos de duas quilômetros das fontes, após ter ficado fechada desde 2019, com críticas à ausência de consulta à comunidade.
  • A licença ambiental, concedida em 2018 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), permitia a continuidade da Jangada e do Córrego doFeijão; após o desastre, a licença foi suspensa e, em 2025, reinstituída e transferida à Itaminas, mantendo a Vale como detentora do direito de exploração.
  • Organizações da sociedade civil, familiares de vítimas e moradores realizaram marchas em janeiro para exigir o fechamento permanente das minas e cobrar compensações.
  • Atuação das empresas é contestada por moradores e ativistas, que destacam estudos hidrogeológicos e alertam sobre riscos de queda no nível do aquífero que fornece as águas à região.

Brumadinho, Brasil — O abastecimento de água na comunidade de Jangada, em Casa Branca, depende de nascentes locais que surgem no próprio terreno. Uma associação comunitária administra hoje o sistema de captação e distribuição, construída sem apoio do Estado.

Há mais de três décadas, moradores ergueram a rede para atender centenas de famílias. O esforço coletivo não contou com recursos públicos; a comunidade financiou parte dos materiais.

A água continua sob risco devido às operações de Vale na região. Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem de Córrego do Feijão interrompeu o fornecimento e deixou 272 vítimas fatais.

Reabertura da mina e impactos

Em agosto de 2025, a mina Jangada, dentro do complexo Paraopeba, foi reativada após ficar fechada desde 2019. A reabertura ocorreu a menos de 2 km das nascentes que abastecem Jangada, suscitando preocupações sobre a água.

As empresas Vale e Itaminas Comércio de Minério S.A. operam em conjunto no local. Críticos apontam riscos de redução do lençol freático e de impacto hídrico para a região.

Licenças e consultas

A licença ambiental para continuidade e expansão da Jangada foi concedida em 2018 pela Semad, a mesma licença que permitiu operações do Córrego do Feijão antes do desastre. Ela foi suspensa após o rompimento e, em 2025, foi reinstalada transferida à Itaminas.

Vale mantém que a exploração continua sob responsabilidade de Itaminas, com operações conjuntas no complexo. A empresa afirma que estudos hidrogeológicos são realizados para monitorar vazões e qualidade da água.

Mobilização local e demandas

No final de janeiro, organizações da sociedade civil, familiares das vítimas e moradores realizaram protestos para exigir compensação e alertar sobre riscos. Em 25 de janeiro, atividades críticas repetiram-se durante marchas até o local da lama de 2019.

Moura, jurista e ativista da região, participa de reuniões de acionistas como forma de alertar sobre insegurança hídrica. Ela sustenta que informações técnicas de Vale sobre o impacto na água não seriam confiáveis.

Perspectivas e monitoramento

A atuação de Itaminas na região é acompanhada de perto por comunidades locais, que defendem fechamento permanente das minas Jangada e Córrego do Feijão e a retirada de licenças. As partes acionam denúncias e monitoramento independente para acompanhar impactos na água.

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