- The New Yorker completou um século de atividade e ganhou um documentário na Netflix sobre a sua história, dirigido por Marshall Curry.
- O filme explora bastidores, a redação e as decisões que moldam a publicação, destacando o cuidado editorial e o processo de revisão linha a linha.
- A revista nasceu em fevereiro de 1925, em Nova York, com Harold Ross como editor e a caricatura Eustace Tilley como símbolo da proposta de público sofisticado.
- O documentário aborda marcos históricos, como Hiroshima, Primavera Silenciosa, A Letter from the Region of My Mind e o episódio envolvendo Capote, além das checagens rigorosas da redação.
- O tom é predominantemente reverente, sem ouvir versões críticas externas nem apresentar dados de tiragem ou audiência; acompanha ainda a eleição de 2024 entre Donald Trump e Kamala Harris.
A reportagem documental The New Yorker – 100 Anos de História apresenta a trajetória da revista ao longo de um século, destacando sua influência na mídia e a forma como lida com o conteúdo. O filme, dirigido por Marshall Curry, está disponível na Netflix e oferece visão sobre o passado, o presente e o possível futuro da publicação.
A produção enfatiza o caráter quase artesanal da redação, que passa por um rigoroso processo de elaboração desde a ideia até a presença do texto no leitor. O documentário compara o trabalho editorial a um exame detalhado, descrevendo a checagem de informações, a escolha de imagens e a revisão linha a linha.
Fundada em fevereiro de 1925, em Nova York, a revista teve como primeiro editor Harold Ross, famoso pela ambição de criar um veículo para leitores sofisticados. O símbolo recorrente da marca é Eustace Tilley, caricatura de um dândi com cartola, presente desde a edição inicial.
O documentário aborda a mudança de postura após a Segunda Guerra, quando a publicação passou a tratar com mais profundidade temas de grande alcance humano. Relatos de coberturas históricas mostram a decisão de dedicar uma edição inteiramente a Hiroshima, com textos de John Hersey.
Entre os momentos destacados estão a reportagem de Hiroshima, a continuidade de grandes textos, e o papel de figuras como Rachel Carson, James Baldwin e Truman Capote. O filme contextualiza impactos editoriais, retratando desde a checagem até a diagramação final.
O filme também acompanha membros da redação, incluindo editores, arquivistas, críticos e correspondentes estrangeiros. O relato dá visibilidade a bastidores, reuniões de pauta e à seleção de cartuns, além de mostrar o fluxo de trabalho da redação.
Apesar da abordagem detalhista, o documentário é criticado por manter um tom reverente e não apresentar visões críticas externas à revista. Em certas passagens, o foco é a atmosfera interna e as decisões internas da equipe.
Durante a cobertura da eleição de 2024, o filme registra a expectativa pela vitória de Kamala Harris e, posteriormente, a confirmação de Donald Trump, gerando reflexos emocionais na equipe. Além disso, não há perguntas sobre a viabilidade econômica da publicação ou dados de circulação.
O documentário evidencia, ainda, uma leitura que valoriza a linha editorial da New Yorker, com entrevistas a funcionários e depoimentos que reforçam o reconhecimento internacional da publicação. Não há espaço para vozes divergentes dentro da produção.
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