- Um ano após os incêndios de janeiro de 2025, quatro artistas de Los Angeles — Kelly Akashi, Christina Quarles, Adam Ross e Kathryn Andrews — voltaram a trabalhar, apesar de perderem casa, estúdio e, em alguns casos, grande parte de seus arquivos.
- Akashi perdeu casa e estúdio no Eaton fire, recuperou parte de trabalhos e abriu a mostra na galeria Lisson Gallery em 20 de fevereiro de 2025, coincidindo com a Frieze Los Angeles, e planeja uma peça para a Whitney Biennial.
- Ross perdeu cerca de cinco mil trabalhos e quase todo o seu arquivo; salvou 11 pinturas durante a fuga e hoje usa um estúdio remanescente enquanto lida com um processo judicial contra aSouthern California Edison por possível ligação entre o incêndio e as linhas de energia.
- Quarles prepara nova exposição com Hauser & Wirth, com obras que refletem a experiência do fogo, incluindo carvão, e comenta mudanças no processo criativo e na construção de materiais mais resistentes ao fogo.
- Andrews mudou-se para West Los Angeles após perder o Palisades; criou a organização Grief and Hope para apoiar artistas e trabalhadores da arte afetados, levantando cerca de 1,74 milhão de dólares para quase 300 pessoas.
A apenas um ano após os incêndios de Eaton e Palisades, quatro artistas de Los Angeles relatam como a catástrofe mudou suas casas, estúdios e arquivos, além do impacto contínuo sobre suas obras e planos. Cada um retornou ao trabalho, ainda que com desafios distintos.
Kelly Akashi perdeu casa e estúdio no Eaton fire. Ela reergueu a produção para chegar à mostra na Lisson Gallery em 20 de fevereiro de 2025, com peças recuperadas entre as cinzas. Em março, participa da Whitney Biennial em Nova York, apresentando uma recriação em vidro e argamassa de sua chaminé.
Adam Ross viu 5000 obras de sua produção destruídas, incluindo grande parte de seu arquivo. Salvou 11 pinturas em uma corrida aos galpões em chamas. Hoje, divide o tempo entre um estúdio novo e uma casa alugada em Pasadena, com planos de retornar a Altadena quando possível.
Christina Quarles já vivenciava incêndio anterior à Eaton. A perda da casa em construção e do Airbnb precedeu a expedição ao estúdio, que sobreviveu. O intenso acúmulo de fuligem exigiu restauro detalhado de obras; a artista expõe até maio com novas séries em carvão, associadas a uma mudança expressiva em sua abordagem.
Kathryn Andrews, atingida pelo Palisades fire, mudou-se para uma locação no West Side, mantendo o estúdio no centro da cidade intacto. A distância de deslocamentos foi reduzida, e a moradia temporária recebeu apoio, com a ideia de retorno mais estável no futuro.
Apoio e reconstrução
Para auxiliar outros afetados, Andrews cofundou a Grief and Hope, ONG criada com artistas e gentes da galeria para apoiar trabalhadores da arte. A iniciativa já arrecadou cerca de 1,74 milhão de dólares e beneficiou quase 300 pessoas. O fundo atende artistas e trabalhadores da área, como assistentes e artesãos, reconhecendo a importância dessa rede de suporte.
Mesmo com o apoio financeiro, a reconstrução enfrenta entraves. Akashi ainda não tem garantia de quando poderá reconstruir de forma completa, e a questão do seguro se apresenta como obstáculo significativo para diversos criadores da região. A recuperação financeira continua como parte essencial do retorno à produção.
Questões de construção também aparecem. Quase todos estudam materiais mais resistentes a incêndios e novas normas, em busca de maior segurança para estúdios e residências. O período de transição envolve replanejamento de espaços, logística e estratégias de preservação de arquivos.
O contexto local aponta para insegurança financeira adicional. Além do impacto direto, as regras de seguro empresarial e de obras são citadas como pontos críticos para recuperar o conteúdo criativo. A busca por soluções leva a uma combinação de estratégias: restauração, reutilização de espaços e novos fluxos de trabalho.
A experiência coletiva dos artistas evidencia resiliência. Mesmo com perdas, eles mantêm produção contínua, definem novas leituras visuais e ampliam dialogue com o público. As ações de reconstrução apontam para uma montagem cuidadosa de vida pessoal e prática artística.
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