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Na Amazônia colombiana, pesca une comunidade ao rio e à floresta

A pesca tradicional, ligada ao rio Vaupés, sustenta a comunidade Macaquiño, mas o uso de equipamentos modernos reduz estoques e ameaça saber ancestral

Harold Ferreira Romero, a fisher from the Indigenous Macaquiño community in Vaupés, fishes in a lagoon that is considered sacred to the community.
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  • A comunidade indígena Macaquiño, em Vaupés, depende do Rio Vaupés e de suas lagoas para água, alimentação e como rota de migração de peixes.
  • O vínculo com o rio é cultural e espiritual, e o calendário tradicional guarda regras sazonais para pesca, alimentação e rituais.
  • O uso de pesca com equipamentos modernos tem reduzido populações de peixe e o conhecimento tradicional de manejo vem se perdendo, segundo líderes locais.
  • Entre as técnicas tradicionais ainda usadas estão o matapí (doriñÿ) e o dorido, além do kakurí (kobobÿ) instalado nas margens durante as cheias.
  • Há preocupação com a perda de saberes ancestrais e com o impacto ambiental, visto que, no passado, havia equilíbrio entre natureza e gente.

O rio Vaupés e sua rede de igarapés e lagoas moldam a vida da comunidade Macaquiño, no sudeste da Colômbia. Abriga água para beber e higiene, serve de rota de migração e abrigo para uma grande variedade de peixes. A pesca sustenta a alimentação local.

Para os Macaquiño, as águas vão além do alimento. Elas estão entrelaçadas com a espiritualidade e a relação com a floresta, os espíritos e as tradições. O calendário tradicional responde aos ciclos de chuva e seca, com regras e rituais para a coleta.

O grupo mantém parte das técnicas herdadas, mas ferramentas modernas, como linhas de longa distância e redes, reduziram espécies e saberes tradicionais. Muitos moradores relatam queda no conhecimento sobre peixes, áreas de pesca e manejo do território.

Alteração de técnicas e riscos à memória ambiental

Membros da comunidade destacam que a falta de respeito às práticas tradicionais impacta a abundância de peixes. O uso de venenos, ou barbasco, foi reduzido por planos comunitários, mas ainda hoje preocupa especialistas.

O conhecimento ancestral de armadilhas tradicionais persiste em algumas famílias. O matapí, feito de palmeiras, é colocado em corredeiras para atrair peixes, com aberturas estratégicas para entrada. Também existe a versão maior, o ñapa doriñÿ, usada nas margens.

Durante a cheia, o kakurí ou kobobÿ funciona como cerca ribeirinha, com vilas de junco que guiam peixes até uma passagem. O ritual envolve orações e uma dieta especial, preservando a relação entre pesca, água e saúde do território.

Para especialistas, a perda de saberes pode desequilibrar a interação entre comunidade e ambiente. O representante regional da CDA destaca preocupações com o declínio de práticas tradicionais e o uso desmedido de recursos.

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