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A origem do nome da ave peru que batiza dois países

Coincidências linguísticas e erros de identificação deram o mesmo nome à ave peru, ao país Peru e ao termo inglês para Turquia

Ilustração cômica, em fundo verde, de um peru vestido de astronauta fincando as bandeiras do Peru e da Turquia no solo lunar.
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  • A ave peru é nativa do sul dos Estados Unidos e do México e foi domesticada por povos indígenas antes da chegada dos europeus.
  • No século XVI, após serem incorporadas ao Império espanhol, as regiões foram levadas à Europa, onde o peru foi comparado à galinha-d’angola, conhecida como turkey fowl pelos europeus, devido às rotas sob domínio otomano.
  • Regiões eram chamadas de Turquia nas línguas europeias, em referência aos povos turcos; por isso o peru ganhou o nome em inglês de turkey, mesmo sem relação com o país.
  • O nome Peru provavelmente deriva de Birú ou Virú, líder indígena no sul do atual Panamá, e, nos relatos espanhóis, tornou-se rótulo geográfico para territórios ao sul pouco conhecidos.
  • O termo passou a designar a região andina, com o Vice-Reino do Peru institucionalizado no século XVI; em Portugal, o nome foi associado à América espanhola, sem relação com a distribuição real da ave, o que só foi reconhecido posteriormente.

O Peru e a Turquia compartilham o mesmo animal na nomenclatura, resultado de erros de identificação e coincidências linguísticas. A ave peru nasce no sul dos EUA e no México, foi domesticada por povos indígenas antes da chegada europeia e ganhou novas designações ao longo do século XVI.

Ao chegar à Europa com as viagens espanholas, o peru foi comparado à galinha-d’angola, ave africana já conhecida nas rotas comerciais do Mediterrâneo Oriental, sob domínio otomano. Assim, os europeus passaram a chamar o novo animal de “turkey fowl”, isto é, ave da Turquia.

A expressão em inglês acabou encorporando o nome do país, mesmo sem relação entre as espécies. O termo turkey consolidou-se na língua inglesa, refletindo a associação entre o peru americano e a galinha-d’angola.

Quanto ao Peru, o nome tem origem no termo Birú ou Virú, ligado a um chefe indígena que habitava o sul do atual Panamá. Em relatos do início do século XVI, o líder aparece às vezes como figura central, em outros casos como referência ao território sob sua autoridade.

Com o tempo, “Peru” passou a designar terras ainda pouco conhecidas ao sul, conforme expedições avanços pela costa do Pacífico. A designação acompanhou a expansão das autoridades espanholas pelo continente, até firmar-se como nome do território andino dominado pelos incas.

Ao se institucionalizar o Vice-Reino do Peru, na primeira metade do século XVI, o nome tornou-se a designação oficial do território correspondente ao país atual. O uso teve origem em práticas coloniais de rotulagem regional.

Quando o animal chegou a Portugal, foi visto como mais um item vindo “do Peru”, expressão que, na prática, significava da América espanhola. O rótulo popular se manteve, sem relação direta com a distribuição real da espécie.

A constatação de que não havia perus nativos no atual Peru só ganhou clareza posteriormente. O conjunto de fatores históricos explica por que o mesmo animal ficou associado a dois nomes distintos de lugares.

Esses vínculos mostram como a linguagem e a circulação de animais moldaram a nomenclatura global. A coincidência linguística persiste até hoje, apesar de as espécies não terem relação geográfica direta com os nomes atribuídos.

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