- John M. Perkins morreu aos 95 anos na sexta-feira, deixando legado como voz evangélica que combateu o racismo.
- Ele defendia que a oposição ao racismo é central para a vida de fé, não apenas uma atividade adicional.
- Perkins desenvolveu a filosofia “ relocation, reconciliation, redistribution” e criou a Associação Cristã de Desenvolvimento Comunitário (CCDA).
- Sua trajetória começou no Mississippi, enfrentou violência policial e liderou ações de dessegregação e boicotes, influenciando diversas gerações de cristãos brancos e negros.
- Sobreviveram a esposa Vera Mae e sete filhos; seu trabalho consolidou uma leitura pública da fé ligada à justiça social.
John M. Perkins, voz evangélica combativa contra o racismo, faleceu aos 95 anos na última sexta-feira. A notícia chega como fechamento de uma vida dedicada a uma ética bíblica de justiça social.
Nascido em 1930, no Mississippi, Perkins enfrentou segregação racial desde a infância. Mudou-se para a Califórnia na Grande Migração e ali iniciou sua trajetória como trabalhador, líder comunitário e pastor.
Perkins estruturou uma abordagem de engajamento social cristão baseada em três pilares: relocação, reconciliação e redistribuição. A igreja deveria chegar aos lugares de necessidade, promover comunidades reunidas e compartilhar recursos.
Legado e ideias centrais
Ele criou a Christian Community Development Association, rede de igrejas comprometidas com esse modelo. A organização cresceu para além de comunidades específicas, buscando ampliar o alcance da justiça social entre fiéis.
Perkins influenciou gerações de evangélicos brancos a reavaliar desigualdades, pobreza e injustiça como temas centrais da fé. Líderes como Charles Colson, Russell Moore e Shane Claiborne destacaram seu impacto.
Em suas palavras, a fé precisava se traduzir em ação concreta, não apenas em culto. Sua visão defendia que o evangelho transforma relações e estruturas sociais, não apenas indivíduos.
Trajetória de vida e ativismo
No início, enfrentou resistência de congregações brancas, enquanto ajudava comunidades negras a se organizarem. Participou de ações de registro de eleitores e de dessegregação escolar.
Em 1970, liderou protesto no Mississippi que acabou resultando em agressões a ele próprio por parte de autoridades locais. A violência intensificou seu compromisso com a transformação social pela fé.
Perkins participou de eventos de planejamento de caravanas evangélicas mistas, promovendo cooperação entre pastores brancos e negros. Esse movimento ajudou a dar visibilidade às propostas de justiça.
Reconhecimento e legado familiar
Ao longo dos anos, recebeu doutorados honorários e reconhecimentos de instituições diversas. Sua atuação foi tema de livros e de projetos académicos que levaram adiante seus princípios.
Perkins deixou a viúva Vera Mae e sete filhos, que seguem contribuindo para preservar a memória de sua obra. Seu legado permanece nas redes de comunidades que aplicam seus princípios de justiça e reconciliação.
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