- O historiador Rutger Bregman, em palestras BBC Reith de 2025, afirma que a Europa corre o risco de chegar a um estado semelhante a Veneza, com museus se tornando meros destinos turísticos.
- Bregman propõe uma revolução moral e a ideia de que ninguém é inevitável, destacando que museus precisam reconhecer seu papel como instituições democráticas e espaços públicos centrais.
- O texto defende que museus públicos, com entrada gratuita no Reino Unido, podem estabelecer padrões éticos para a vida pública e influenciar debates além de seus muros.
- O National Gallery, em Londres, é citado por promover a ideia de “ver o quadro maior” e planeja um novo anexo Modern, com foco em obras paradigmáticas do século XX para contar a história da democracia.
- A tese aponta que revoluções morais costumam surgir de indivíduos ou pequenos grupos dedicados, e que museus podem ser “monumentos no tempo”, moldando percepções e o futuro coletivo por meio da curadoria e da programação.
Rutger Bregman, historiador holandês, criticou museus europeus durante as Reith Lectures de 2025, afirmando que o continente corre risco de decadência semelhante à de Veneza no século XIV. Ele disse que a Europa pode se tornar “um grande Veneza” se não houver mudanças na conduta pública.
O brasileiro enfoque do texto analisa a partir dessa visão a atuação das instituições museais como espaços democráticos. Segundo Bregman, curadores e bibliotecários continuam entre os profissionais mais confiáveis, mesmo diante da perda de confiança na expertise pública.
A crítica aponta que museus não reconhecem plenamente seu papel democrático e público, o que dificulta posicionamentos frente ao avanço de tendências autoritárias e à disseminação de desinformação. A mensagem sugere que museus promovam padrões éticos que transbordem as paredes de suas exposições.
Contexto e propostas de mudança
Bregman defende uma “revolução moral” que recorra a exemplos históricos de mobilização de pequenos grupos. A ideia é que instituições culturais promovam valores cívicos e disseminem a verdade histórica através de ações públicas, não apenas da exposição de obras.
O autor destaca que museus públicos britânicos, com entrada gratuita, têm potencial para influenciar debates sociais. Entre as metas citadas estão a promoção de padrões éticos para a vida pública e a contestação a práticas como o uso excessivo de smartphones em ambientes educativos e a disseminação de informações incorretas em plataformas digitais.
Desafios práticos
O texto aponta dificuldades operacionais, como o foco no dia a dia administrativo e a escassez de recursos. Também questiona como pensar no futuro a 50 anos diante de pressões imediatas, inflação de desinformação e mudanças climáticas.
A análise sugere que as instituições com patrimônio cultural compartilhado devem refletir sobre o papel de guiar a sociedade em direção a um futuro mais estável. Em específico, propõe que museus assumam responsabilidades públicas que vão além de exibir obras.
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