- Fotógrafo Bruno Itan compartilha quase uma década de imagens das favelas do Rio, mostrando a rotina após operações policiais.
- As fotos retratam cenários de guerra em grandes comunidades, como Alemão, Rocinha e Jacarezinho; Bruno vive hoje na Rocinha.
- Os registros mostram tiroteios, paredes com marcas de tiros, crianças perto de policiais e moradores trabalhando próximos aos estragos.
- A megaoperação de 28 de outubro de 2025 no Alemão e na Penha deixou 122 mortos; Bruno acompanhou o dia seguinte e participou ao vivo da CNN Brasil.
- Um relatório da Defensoria Pública, enviado ao STF, traz denúncias de violência e abuso de autoridades; estudo da AtlasIntel aponta que mais da metade dos moradores já presenciou tiroteio.
Bruno Itan, fotógrafo que trabalha retratando favelas do Rio há 18 anos, compartilhou com a CNN Brasil imagens autorais que abarcam quase uma década do cotidiano em comunidades da cidade. Os registros mostram, entre outros cenários, crianças nas vias ao lado de policiais armados e paredes marcadas por projéteis.
Nascido em Pernambuco e criado no Complexo do Alemão, Itan se dedica a registrar o impacto das operações policiais na vida dos moradores. Hoje residente na Rocinha, ele acompanha também os desdobramentos em outras grandes comunidades da capital, como Alemão e Jacarezinho.
As imagens ressaltam a presença constante de violência e o reflexo nas estruturas das comunidades. O fotógrafo descreve a rotina de pânico, com tiros, helicópteros e famílias convivendo com danos aos imóveis e dificuldades de acesso a serviços básicos.
Megaoperação no Alemão e na Penha
A operação policial ocorrida em 28 de outubro de 2025 resultou em 122 óbitos, envolvendo os complexos do Alemão e da Penha. Itan esteve no Complexo da Penha na manhã seguinte, ao vivo pela CNN Brasil, para relatar a situação.
Relatórios encaminhados ao STF, pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, apontam denúncias de violência e abuso de autoridades após a megaoperação. Moradores contaram sobre buscas sem mandado, circulação restrita e atendimento negado a pessoas que buscavam ajuda.
Pesquisa divulgada pela AtlasIntel, em outubro de 2025, indicou que mais da metade dos cariocas já presenciou um tiroteio. O estudo reforça a percepção de que a violência durante operações afeta amplamente as comunidades.
Bruno Itan lamenta que as comunidades muitas vezes sejam vistas apenas pelo viés da violência, sem reconhecer potenciais como esporte, cultura e oportunidades para jovens. Ele aponta que políticas públicas eficazes são essenciais para mudanças reais.
O fotógrafo afirma ter visto amigos envolverem-se com o tráfico e enfrentarem prisões ou morte, motivando-o a seguir pelo caminho da documentação. O objetivo, diz, é provocar indignação suficiente para estimular ações públicas.
Em entrevista, Itan reiterou que imagens de paredes perfuradas e itens de projéteis refletem o que ele chama de descaso com os moradores. Ele espera que as fotos contribuam para políticas que ampliem oportunidades nas favelas.
Autoridades e assessorias não divulgaram posicionamentos definitivos sobre medidas de apoio financeiro ou psicológico aos moradores de áreas atingidas por grandes operações policiais. O espaço permanece aberto para manifestações oficiais.
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