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Documentário da UFF mostra ecos da escravidão no Brasil e no mundo

Documentário da UFF liga escravidão ao presente, apontando desigualdades e reparações, com foco na Pequena África e Cais do Valongo

Na imagem, professora e pesquisadora do departamento de História da UFF Ynaê Lopes dos Santos
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  • Documentário em pré-produção da Universidade Federal Fluminense investiga como a escravidão ancora desigualdades sociais, econômicas e políticas no Brasil e no mundo, conectando passado e presente.
  • O projeto é internacional e conta com financiamento do governo britânico, envolvendo a University of Bristol, instituições em Gana e na Dominica, além do Cultne.
  • No Brasil, o eixo central é a região da Pequena África, especialmente o Cais do Valongo, considerado o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas.
  • O filme pretende mapear estruturas de reparação histórica e destacar o racismo estrutural, com participação do Instituto Pretos Novos e o protagonismo de comunidades locais.
  • A produção deve ficar pronta até o fim de 2027, incluindo conteúdos educativos curtos alinhados à BNCC e com a perspectiva de desdobramento em série.

Um documentário de longa-metragem, em fase de pré-produção, investiga como a escravidão estruturaliza desigualdades no Brasil hoje. Realizado pela UFF, o projeto reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros para conectar passado e presente em uma perspectiva transnacional. Conta com financiamento de um programa internacional do governo britânico e envolve instituições como a University of Bristol, universidades em Gana e na Dominica, além do Cultne.

A direção brasileira fica com a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, da UFF. O filme parte de uma pesquisa sobre reparações históricas da escravidão em diferentes territórios, buscando compreender estados de desigualdade atuais. A proposta é discutir reverberações atlânticas da escravidão de forma comparada e as etapas de reparação nesses países.

No Brasil, o eixo central será a Pequena África do Rio de Janeiro, especialmente o Cais do Valongo, reconhecido como o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas. O território é apresentado como símbolo das lutas de moradores, ativistas e pesquisadores na agenda de reparações.

Parcerias, memória e metodologia

O projeto inclui o Instituto Pretos Novos, que atua na preservação da memória de africanos escravizados por meio de vestígios arqueológicos encontrados na região. A pesquisadora ressalta a urgência de compreender como estruturas criadas na escravidão permanecem ativas na sociedade brasileira.

A equipe busca revelar o funcionamento do racismo a partir da experiência histórica da população negra, destacando impactos que atravessam áreas da vida social. Estudos de reparação são apresentados como tema central para o país como um todo, não apenas para a população negra.

Desdobramentos e formatos de divulgação

Além do longa, o projeto prevê vídeos educativos alinhados à BNCC, com foco em história e cultura afro-brasileira. O objetivo é democratizar o conhecimento acadêmico por meio do audiovisual, mantendo rigor histórico e acessibilidade.

A produção brasileira fará parte de uma série internacional sobre escravidão, discutindo territórios diferentes em diálogo com as demais obras. O grupo avalia a possibilidade de transformar o conteúdo em série devido à complexidade do tema. A conclusão está prevista para o fim de 2027.

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