- A exposição em Atenas celebra George Costakis, colecionador que salvou milhares de obras da vanguarda russa e soviética, hoje reconhecidas internacionalmente.
- Parte da coleção foi oferecida à Galeria Nacional de Atenas em 1995; agora, 30 anos depois, a mostra reinterpreta as obras pelo tema humano e relação com o ambiente.
- Entre os artistas estão Gustav Klucis, Liubov Popova e Kazimir Malevich, revelando como a Revolução de 1917 expandiu os limites entre arte e vida.
- Costakis, que vivia em Moscou, chegou a transformar seu apartamento em um museu aberto, trocando bens pessoais por obras de vanguarda; houve roubos e um galpão incendiado ao longo do tempo.
- A exposição também enfatiza o papel da coleção na formação do Museu de Arte Moderna em Tessalônica e ocorre em um contexto internacional de tensões entre Rússia e Ucrânia.
George Costakis, colecionador que salvou a arte vanguardista soviética, é tema de uma exposição em Atenas que reinterpreta os laços entre o homem e o ambiente. A mostra celebra a trajetória de Costakis, que coletou milhares de obras entre as décadas de 1930 e 1970, salvando-as do esquecimento.
Originário de Moscou, de ascendência grega, Costakis dedicou décadas a encontrar e preservar obras de artistas da vanguarda russa. Ao deixar parte da coleção na galeria Tretyakov, em 1977, levou boa parte ao Brasil? Não; levou para a Grécia, onde a primeira exibição ocorreu em 1995, no National Gallery de Atenas.
A retrospectiva atual, 30 anos depois, reúne obras que tratam o tema humano e sua relação com o ambiente. O foco inclui nomes como Malevich, Popova e Klucis, mostrando a arte como fronteira entre vida cotidiana e o espaço urbano e natural.
Segundo Syrago Tsiara, diretora da National Gallery e co-curadora, a mostra revela como esses artistas imaginavam o futuro soviético por meio de máquinas, têxteis e linguagem concreta. A curadoria enfatiza a força de costurar arte e vida na revolução de 1917.
A história de Costakis, descrita pela filha Aliki Costaki, mostra um esforço contínuo para manter as obras acessíveis ao público. Ela relembra que o colecionador trocava itens por obras importantes e mantinha a residência de Moscou como um “museu aberto”.
Ao longo dos anos, o ritmo de repressão à expressão no regime soviético complicou o acesso às obras. Casos de arrombamentos e incêndios em depósitos particulares acompanharam a trajetória do colecionador, que deixou parte de sua coleção na Rússia.
A mostra em Atenas reforça o papel do acervo na história dos museus gregos, servindo de base para o Museum of Modern Art em Thessaloniki. Destaca ainda a diversidade de origens nacionais entre os artistas da vanguarda russa.
A exposição, intitulada The Avant-Garde World: City, Nature, Universe, Human, fica no National Gallery-Alexandros Soutsos Museum, em Atenas, de 15 de abril a 27 de setembro. A curadoria ressalta a importância histórica de Costakis para a memória artística europeia.
Fonte: National Gallery-Alexandros Soutsos Museum, Atenas. A mostra celebra a vida de Costakis e seu legado para a preservação da arte russa e soviética, especialmente dentro do contexto internacional atual.
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