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Museu holandês expõe sua falsa Van Gogh

Museu Kröller-Müller exibe Seascape at Saintes-Maries-de-la-Mer, provável fraude atribuída a Leonhard Wacker, em paralelo a podcast sobre a aquisição

In the style of Van Gogh, Seascape at Saintes-Maries-de-la-Mer (1925-27), probably by Leonhard Wacker
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  • O Kröller-Müller Museum, em Otterlo, colocou em exibição até 21 de junho a falsificação Seascape at Saintes-Maries-de-la-Mer (1925–27), adquirida pelo museu do fundador.
  • A obra foi comprada em dezembro de 1928, via galeria de Haia e do marchand Otto Wacker, por cerca de 18 mil dólares, a pedido do conselheiro de arte H. P. Bremmer.
  • Banca de especialistas questionou a autenticidade desde o início; em janeiro de 1930 Jacob-Baart de la Faille afirmou que era bonita, mas não de Van Gogh, gerando debate que envolveu reavaliações ao longo dos anos.
  • A pintura foi retirada de exibição em 1947; atualmente o museu acredita que foi pintada pelo irmão mais novo de Wacker, Leonhard, e o quadro recebeu moldura original de Van den Bosch em 2003.
  • Mesmo com a obra falsa, o museu mantém a importância de sua coleção de Van Gogh, que hoje soma oitenta e oito quadros e 182 desenhos.

O Kröller-Müller Museum, em Otterlo, está exibindo pela primeira vez uma falsa obra de Van Gogh, Seascape at Saintes-Maries-de-la-Mer (1925-27). A apresentação, aberta até 21 de junho, coincide com um podcast em holandês que revela como a fundadora Helene Kröller-Müller adquiriu a peça sem perceber a falsificação.

A obra foi comprada em dezembro de 1928, após indicação do assessor de arte H. P. Bremmer, via uma galeria de Haia e de um marchand de Berlim, Otto Wacker, pelo equivalente a cerca de 18 mil dólares. Descrita como criação durante a breve visita do artista a Saintes-Maries-de-la-Mer, na Camargue, em 1888, a tela levantou dúvidas logo no início da aquisição.

Ao longo de décadas, críticos e historiadores duvidaram de sua autenticidade. Em janeiro de 1930, Jacob-Baart de la Faille descartou a obra como não sendo de Van Gogh, iniciando um debate que se estendeu por anos. Em 1932, Wacker foi condenado por fraude na venda de diversos falsos Van Goghs.

A avaliação atual e o acervo

O museu retirou a obra de exibição em 1947. Entre 1947 e 1949, ela foi emprestada para duas exposições holandesas, participou de uma mostra itinerante sobre falsificações na Inglaterra, e permaneceu em armazenamento. Hoje acredita-se que a pintura tenha sido produzida pelo irmão mais novo de Wacker, Leonhard.

A curadora Renske Cohen Tervaert aponta que a cor e as pinceladas não correspondem ao estilo de Van Gogh durante a visita mediterrânea de 1888. O que se observa é uma técnica que se aproxima de obras de um ano mais tarde, quando o artista vivia em um asilo próximo a Saint-Rémy-de-Provence.

Apesar da fraude, o quadro mantém valor de moldura genuína. Em 1910, Kröller-Müller começou a encomendar molduras de madeira com cantos quadrados elevados, criação do decorador Jacob van den Bosch. Em 2003, a instituição refez a moldura de quase toda a coleção, usando o quadro falsificado como referência para as réplicas.

O Kröller-Müller Museum mantém, ainda hoje, uma das maiores coleções de Van Gogh do mundo, com 88 pinturas e 182 desenhos. A mostra atual ressalta, porém, a história de aquisição, autenticidade e restauro da obra.

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