- Parque da Serrinha do Paranoá tem 65,91 hectares e não abrange a Gleba A, de 716 hectares, dada em garantia para capitalizar o BRB.
- Associação Preserva Serrinha afirma que a Gleba A continua sem proteção e pode virar área residencial para salvar o banco.
- Decreto que formalizou a criação do parque foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nesta terça-feira; o objetivo é preservar recursos ambientais e permitir pesquisa, educação ambiental, turismo ecológico e recreação.
- Entidades defendem proteção integral da Gleba A e propõem criação de um parque nacional para conservar toda a área; autoridades destacam preservação de áreas estratégicas para a água e Cerrado.
- A decisão envolve episódios anteriores: a Gleba A foi usada para salvar o BRB, com controvérsias no GDF e ações na Justiça; há investigações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades na compra de créditos do banco.
O Parque da Serrinha do Paranoá, novo limite de proteção ambiental autorizado pelo governo do Distrito Federal, não engloba a Gleba A, área de 716 hectares que integra a garantia de empréstimos para salvar o BRB. A afirmação é da Associação Preserva Serrinha, com base em mapas apresentados pela entidade.
Segundo a diretora Lúcia Mendes, o parque tem 65,91 hectares e não se sobrepõe à Gleba A. Ela afirma que a governadora Celina Leão não cumpriu a proposta de criação anunciada e que a área destinada à proteção ambiental permanece sem respaldo institucional para evitar usos residenciais na Gleba A.
O decreto que formalizou a unidade de conservação foi publicado no Diário Oficial do DF nesta terça-feira (7). O GDF afirma que a criação visa preservar recursos ambientais, permitir pesquisa, educação ambiental, turismo ecológico e recreação em contato com a natureza.
Mudanças e críticas
A Serrinha do Paranoá abrange áreas estratégicas de preservação hídrica, incluindo a cachoeira do córrego Urubu e trechos de Cerrado com formações campestres, savânicas e florestais. Ambientalistas e entidades civis pedem a proteção integral da Gleba A.
A governadora já havia anunciado a desvinculação de parte da gleba para proteção ambiental, mas a medida não houve efetiva implementação até o momento. A decisão envolve também o histórico uso de imóveis para capitalização do BRB, alvo de críticas desde o caso Master.
A área fica entre Varjão e Paranoá, no Cerrado, e abriga 119 minas d’água que abastecem o Lago Paranoá, componente estratégico do abastecimento da região. Críticas destacam riscos de erosão, perda de recarga de aquíferos e contaminação das águas subterrâneas caso haja impermeabilização.
A Justiça já limitou temporariamente o GDF de vender áreas ambientais para socorrer o BRB, mas liminares foram derrubadas em seguida. A disputa envolve ações diretas de inconstitucionalidade e ações civis públicas sobre a alienação da gleba.
O BRB enfrenta problemas de liquidez após compras bilionárias de ativos de baixa liquidez. A Polícia Federal investiga possíveis fraudes relacionadas a créditos adquiridos pelo banco, o que alimenta o debate sobre o destino das glebas utilizadas como garantia.
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