- Três casos de vítimas da gangue quebra-vidro mostram impactos: uma veterinária precisou de cirurgia após fingerada proteção; uma advogada ficou com cicatrizes; um motorista de aplicativo deixou a profissão após o roubo de uma passageira na zona norte.
- A Secretaria da Segurança Pública diz que o enfrentamento a roubos e furtos de celulares é feito de forma contínua e estratégica em todo o estado, com foco em vias de maior fluxo e congestionamento.
- Em fevereiro, a cidade de São Paulo teve queda de quinze vírgula sete por cento nos roubos comparado ao mesmo período de 2025, embora haja altas em áreas como Lapa e Vila Mariana.
- Em uma megaoperação, pelo menos setenta suspeitos foram detidos pela Polícia Militar, com mais de dois mil agentes mobilizados, principalmente na região central.
- A Polícia Civil segue investigações para identificar autores e reduzir a receptação, enquanto indicadores apontam queda de vinte e seis vírgula sete por cento nos roubos de celulares no primeiro bimestre de dois mil e vinte e seis.
Uma série de ataques de gangues conhecidas como quebra-vidro tem deixado danos físicos e traumas em moradores e trabalhadores de São Paulo. Casos envolvendo uma médica veterinária, uma advogada e um motorista de aplicativo ilustram o alcance dessas ações, que vão além do centro da cidade.
No caso da veterinária Letícia Figueiredo, a agressão ocorreu em uma avenida da zona norte, quando o vidro do carro foi atingido por estilhaços e o dedo anelar foi quebrado. Ela precisou passar por cirurgia e ficou com sequelas. A advogada Renata sofreu cortes no braço, mão e pé em um ataque na zona oeste, em uma avenida próxima a uma estação de metrô; o incidente gerou trauma e medo de circular pela região. Já o motorista Raphael Silva desistiu da profissão após ver uma passageira ter o celular roubado e passou a atuar na confeitaria.
As ocorrências não se restringem ao centro e têm se espalhado por bairros da capital, como Vila Mariana, Perdizes, Ipiranga e Moema. Autoridades destacam que as ações são rápidas e oportunistas, com ataques a carros parados em vias de fluxo elevado ou congestionadas.
O que aconteceu, quem está envolvido, quando e onde
Entre fevereiro e março, houve registro de roubos e tentativas de furto de celulares em vias como Engenheiro Caetano Álvares, Zilda, Avenida Paulo VI e áreas próximas a avenidas movimentadas. Em alguns casos, os criminosos utilizam objetos cortantes ou pedriscos para quebrar vidros.
Os relatos trazem ainda a percepção de que a violência não é dirigida apenas a vítimas específicas, incluindo pessoas que presenciaram ou passaram pelo ataque após o fato. O medo de circular por determinadas vias tem sido registrado por quem vive ou trabalha na região.
A atuação de segurança pública
A SSP afirma que o enfrentamento a roubos e furtos de celulares é contínuo e estratégico em todo o estado, com base na mancha criminal e no policiamento ostensivo em pontos de maior incidência, como vias congestionadas. Uma megaoperação da PM, na última semana, resultou na detenção de ao menos 70 suspeitos e mobilizou mais de 2 mil agentes.
O coronel Carlos Henrique Lucena, da PM, reconhece que a atuação não se restringe ao centro e que cada batalhão direciona viaturas e efetivos conforme a análise de cada região. Ele aponta horários de maior movimento, próximos a fins de semana e feriados, como períodos críticos.
Dados e desdobramentos
Segundo a SSP, no primeiro bimestre de 2026 houve queda de 26,7% nos roubos de celulares no estado, com 4,7 mil ocorrências a menos em relação ao mesmo período de 2025. Mesmo assim, regiões como Lapa e Vila Mariana registram índices superiores em relação à média da cidade, indicando variação regional.
As investigações ficam a cargo da Polícia Civil, com atuação também no combate à receptação de aparelhos roubados. A SSP ressalta que, além das ações da PM, as forças de segurança trabalham para reduzir a incidência em pontos de maior vulnerabilidade.
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