- PF prendeu MC Ryan SP e Chrys Dias na operação Narco Fluxo, com a prisão de Débora Paixão e suspensão das respectivas redes sociais.
- A investigação mira uma estrutura de lavagem de dinheiro que usava artistas e influenciadores para encobrir recursos do crime organizado e do mercado digital.
- A Justiça bloqueou R$ 1,6 bilhão; a PF estima que a movimentação total do grupo pode passar de R$ 260 bilhões.
- O grupo utilizava um “escudo de conformidade” para mascarar operações, além de blindagem patrimonial com familiares e laranjas; também haveria remessas internacionais.
- A operação cumpriu 33 de 39 prisões temporárias, realizou 45 buscas em nove estados e no Distrito Federal, e apreendeu veículos de luxo e criptomoedas.
O Ministério da Justiça e a Polícia Federal deflagraram, nesta quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo, que resultou na prisão de MC Ryan SP e Chrys Dias. Débora Paixão, esposa de Chrys, também foi presa, e as redes sociais do casal foram suspensas. As ações atingiram contas no Instagram de ambas as vítimas e impactaram a visibilidade pública usada no esquema.
A ação é um desdobramento das operações Narco Bet e Narco Vela, com o objetivo de desarticular uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado e ao mercado digital.
A investigação teve início a partir de dados de um backup na nuvem (iCloud) do contador da organização, Rodrigo de Paula Morgado. A partir dessas informações, a PF identificou uma rede que ocultava capitais provenientes do tráfico internacional, além de apostas ilegais e rifas clandestinas.
O valor bloqueado pela Justiça foi de R$ 1,6 bilhão, conforme levantamento do Coaf. A PF estima que a movimentação total do grupo pode superar R$ 260 bilhões.
Os investigadores apontam o uso de um “escudo de conformidade”, mecanismo pelo qual artistas e influenciadores ampliavam a aparência regular das operações para mascarar as movimentações financeiras.
A estrutura também recorreu a blindagem patrimonial, transferindo participações para familiares e terceiros apontados como laranjas, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
A PF identificou ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O elo seria Frank Magrini, apontado como operador financeiro da facção, com antecedentes por tráfico de drogas e roubos a banco.
Consta que Magrini teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP, em 2014, e recebia repasses periódicos de estabelecimentos vinculados ao esquema.
Núcleo central e liderança
O núcleo central seria liderado por MC Ryan SP, conhecido como Ryan Santana dos Santos, apontado como principal beneficiário do esquema. Utilizava empresas do entretenimento para blindar patrimônio e converter recursos ilícitos em bens como imóveis, joias e carros de luxo.
Entre os investigados estão influenciadores e artistas, como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, citado como operador de mídia responsável por promover plataformas de apostas e gerir a imagem dos envolvidos.
O cantor MC Poze do Rodo (Marlon Brendon) também aparece relacionado à circulação de recursos de rifas digitais.
Chrys Dias e Débora Paixão, conhecidos como “Casal Imports”, são apontados como financiadores do esquema. A investigação aponta ainda um núcleo internacional com remessas ao exterior e evasão de divisas por meio de empresas associadas aos investigados.
Como foi a operação
Foram expedidos 39 mandados de prisão temporária, com 33 cumpridos inicialmente, além de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal. Ao longo da operação, foram apreendidos computadores, dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, incluindo Porsche, BMW e caminhonetes Amarok.
Também houve quebra de sigilos telemáticos e confisco imediato de criptomoedas mantidas em corretoras.
Defesa e posicionamento
A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso ao procedimento sob sigilo, o que impede manifestação específica sobre os fatos. O advogado de MC Poze do Rodo informou que o artista ainda desconhece os autos do processo e o teor do mandado.
A defesa de Chrys Dias e Débora Paixão não foi localizada até o fechamento deste texto. O espaço permanece aberto para manifestações oficiais.
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