- Advogados Adriana Marra e João Alberto da Cunha Filho renunciaram ao caso envolvendo as crianças de dois e quatro anos retiradas dos pais em Arroio Grande, no Rio Grande do Sul, por motivos pessoais.
- As crianças foram tiradas do lar em novembro de 2025 após o casal apresentar atestado contraindicando vacinas do Programa Nacional de Imunizações; desde então, seguem sob cuidado de avós em Canguçu.
- A defesa informou ter atuado de forma combativa, tentando retomar visitas e chegando a mandar mandado de segurança contra o juiz da 2ª Vara Judicial de Canguçu, que hoje conduz o processo sem manifestações recentes.
- Os pais disseram à Gazeta do Povo estar buscando um novo advogado, ter contas bancárias bloqueadas por multas do processo e viver “dias difíceis”, sem contato com os filhos por 75 dias.
- O caso ganhou repercussão nacional, com o Conselho Nacional de Justiça recebendo denúncias e autoridades questionando decisões de censura e conduta judicial; familiares relatam dificuldades e risco à convivência com os avós.
Os advogados Adriana Marra e João Alberto da Cunha Filho renunciaram ao acompanhamento do caso das crianças de Arroio Grande, RS. Os dois atuaram voluntariamente por meses e alegam motivos pessoais para se afastar.
A decisão envolve os dois filhos de dois e quatro anos, retirados do lar em novembro de 2025 após o casal apresentar atestado contrariando o Calendário de Vacinação. A família permanece afastada da guarda.
Segundo as informações, as recusas e o afastamento tiveram impactos na condução do processo, que tramita na comarca. A defesa já havia acionado o judiciário com diferentes medidas ao longo do último ano.
Renúncia dos advogados
Em comunicado à Gazeta do Povo, Adriana afirmou que acredita ser pais zelosos e que houve persistente esforço para restabelecer o contato com as crianças. Os profissionais sustentaram que a busca por visitas foi constante, mesmo com a distância imposta pelo tribunal.
A advogada destacou que foram apresentadas dezenas de petições, incluindo recursos complexos, dentro do prazo. Um mandado de segurança chegou a ser apresentado contra o juiz da 2ª Vara Judicial de Canguçu/RS, conforme relato oficial.
O TJRS foi informado de que o magistrado estaria sem manifestação no processo desde janeiro, apesar da gravidade das alegações. O caso deixou a comarca de Arroio Grande após a saída das crianças do abrigo e a transferência para os avós em Canguçu.
Posição dos pais
Os pais informaram à Gazeta do Povo que buscam um novo advogado para a continuidade do caso. Eles relatam bloqueio de contas bancárias por multas relacionadas ao processo e descrevem os últimos meses como difíceis.
Eles afirmam ainda que não veem os filhos há mais de dois meses e pedem a devolução das crianças pelo novo juiz. Relatos apontam que o ambiente com os avós maternos não seria adequado para as crianças.
Paola, mãe, relata lembranças traumáticas dos períodos vividos com os pais anteriores, citando medo extremo durante a infância. Os pais afirmam que a convivência com os avós é prejudicial às crianças.
Contexto do caso
As crianças, de 2 e 4 anos, foram retiradas em 18 de novembro de 2025 após o atestado contraindicando vacinas. Os pais tentaram filmar uma consulta médica solicitada pelo juiz, que não ocorreu. Em seguida, as crianças foram encaminhadas a um abrigo.
No início de janeiro, as visitas foram retomadas por meia hora, uma vez por semana, mas suspensas novamente em 30 de janeiro, data do aniversário da filha mais nova. Um afastamento de quase 40 dias dividiu o período de convivência.
O caso ganhou ampla repercussão, com advogados questionando a censura imposta a falas dos envolvidos e órgãos de fiscalização recebendo denúncias. O CNJ recebeu mais de 60 denúncias sobre o tema. As crianças permanecem sob guarda dos avós.
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