- André Cointreau, 78 anos, à frente da Le Cordon Bleu, destaca que o mercado não tolera arrogância de chefs e que o Brasil tem potencial gastronômico.
- Em entrevista durante visita ao Brasil, ele comenta que hoje é preciso rápido sucesso para manter restaurantes abertos.
- Sobre o Guia Michelin, afirma que os japoneses merecem destaque pela disciplina e qualidade, às vezes superior à francesa, não enxergando regresso da regularidade na França.
- Observa que gerações mais jovens buscam rapidez e redes sociais, mas a cozinha ainda exige códigos, regras e paciência para técnicas como molhos de longos preparo.
- Afirmam que tendências atuais apontam para menus menores e foco em saúde, com adaptações possíveis na cozinha francesa e no ensino da Le Cordon Bleu no mundo, inclusive no Brasil.
André Cointreau, dono do Le Cordon Bleu, afirma que arrogância na cozinha não tem espaço no mercado atual. Em visita ao Brasil, ele defende disciplina, respeito aos ingredientes e uma visão global da gastronomia.
O executivo, de 78 anos, herdou a marca Cointreau e comprou a escola de gastronomia em 1984. Em entrevista, destaca que restaurantes precisam de sucesso rápido hoje ou fecham, como reflexo da pressão financeira e da mudança de hábitos do público.
Para ele, o equilíbrio entre tradição francesa e inovação é essencial. Elementos como rigor, técnica e organização na cozinha convivem com a demanda por menus adaptados, redução de porções e foco em saúde e bem-estar.
O que mudou no cenário global
Cointreau aponta que o Guia Michelin destaca Tóquio como referência de qualidade, superando Paris em estrelas. Segundo ele, a rigidez disciplinar dos japoneses é resultado de uma cultura de respeito aos ingredientes e a uma metodologia de preparo.
Ele explica que a regularidade entre chefs franceses nem sempre é repetida, enfatizando que jovens profissionais buscam rapidez e visibilidade nas redes, o que pode comprometer a paciência necessária para certos molhos longos.
Brasil, oportunidades e desafios
O brasileiro é visto como potencial consumidor de ingredientes diversos e de alto nível técnico. O empresário afirma que o Brasil tem cultura gastronômica rica e pode evoluir com formação mais sólida, elevando jovens cozinheiros ao padrão de elite.
Cointreau também comenta que a cozinha está em transformação: menus degustação podem se manter, desde que reduzam porções e adaptem-se a hábitos de saúde. Ele cita coquetéis sem álcool como exemplo de inovação.
Inovação e responsabilidade na área
Sobre a cozinha molecular, o chef vê modismos, porém admite valor científico. A parceria com Hervé This indica que ciência pode ampliar resultados, sem distorcer o papel do chef.
Ao falar de inteligência artificial, o empresário acredita que a IA será uma ferramenta de pesquisa para chefs, ajudando a aprimorar técnicas e gestão de restaurantes, sem substituir a criatividade humana.
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