- A Prefeitura de Belo Horizonte quer reduzir em cerca de 25% o número de técnicos de enfermagem do SAMU, com entrada em vigor no dia 1º de maio.
- As equipes passarão de dois técnicos para um técnico por ambulância, o que, segundo a categoria, pode inviabilizar atendimentos mais complexos.
- A medida envolve 34 profissionais temporários da pandemia que não terão vínculos renovados; o SAMU em BH tem hoje cerca de 710 profissionais no total.
- Atualmente, Belo Horizonte conta com cerca de 198 técnicos de enfermagem, número que cairá para cerca de 151 com os desligamentos, segundo fontes da categoria.
- Trabalhadores e entidades cautionam que a redução pode aumentar o tempo de atendimento e sobrecarregar UPAs e hospitais, com mobilização marcada para 22 de abril sem paralisação imediata.
A Prefeitura de Belo Horizonte decidiu reduzir em cerca de 25% o número de técnicos de enfermagem nas ambulâncias do SAMU. A medida deve entrar em vigor no dia 1º de maio e é alvo de críticas de profissionais e entidades médicas. O objetivo alegado é reorganizar as escalas sem reduzir o total de ambulâncias.
Atualmente, as equipes do SAMU de BH contam com um condutor e dois técnicos em cada ambulância, modelo utilizado há mais de uma década. Com a mudança, cada equipe ficará com apenas um técnico, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade de atendimentos complexos.
A prefeitura informou que 34 profissionais contratados na pandemia não terão vínculos renovados. A Secretaria Municipal de Saúde garante que não haverá redução no número de ambulâncias e que as escalas serão reorganizadas.
O SAMU de BH tem cerca de 710 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e condutores. A portaria 2.028/2002 estabelece a composição mínima de uma USB com um técnico de enfermagem e um condutor, modelo que BH afirma adotar a partir de agora.
Especialistas apontam diferenças com outras cidades. Em São Paulo, por exemplo, há reforços com motolâncias, o que não ocorre em BH. A categoria alerta que a ausência de profissionais adicionais tende a comprometer a eficiência do atendimento.
Hoje, estima-se que BH tenha cerca de 198 técnicos; com o desligamento, esse número pode cair para 151. A conselheira de saúde Érika Santos afirma que o principal impacto é direto para a população, devido à demanda já alta pelo serviço.
Ela ressalta que o novo modelo dificulta atendimentos em situações desafiadoras, como pacientes com obesidade ou em locais de difícil acesso. Em cenários de surto, a preparação com mais de um técnico é considerada essencial.
Érika sugere que o tempo de resposta pode sofrer aumento significativo, já que o atendimento atual já oscila entre 30 e 40 minutos conforme a gravidade. O prognóstico é de piora de tempos de atendimento.
O Sinmed-MG e o CRM-MG classificaram a medida como preocupante, citando aumento de casos de doenças respiratórias em BH e a sobrecarga de UPAs e hospitais. As entidades defendem que a redução enfraquece o atendimento pré-hospitalar.
Trabalhadores do SAMU organizam manifestação em frente à Prefeitura na próxima quarta-feira (22/4) e participação em audiência na Câmara Municipal. Não há previsão de paralisação iminente.
A prefeitura mantém o argumento de que a reorganização segue normas federais e garante a continuidade do atendimento à população. A medida, porém, permanece sob avaliação de sindicatos e conselhos de saúde.
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