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Mulheres de favelas brasileiras aprendem a se defender ante a violência

Com o aumento da violência de gênero, mulheres de favelas buscam auto-defesa e apoio institucional para se protegerem

Ana Paula Lima, right, teaches muay thai in Rio de Janeiro.
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  • Mulheres de Rocinha, no Rio, participam de aula gratuita de defesa pessoal em muay thai, com cerca de 30 alunas, para enfrentar o aumento da violência de gênero.
  • A iniciativa é organizada pelo Instituto de Defesa da População Negra e pela prefeitura do Rio.
  • Pesquisa de 2025 aponta que quarenta e sete por cento das brasileiras já sofreram algum tipo de violência no último ano; os femicídios subiram 14,5% em cinco anos, totalizando 1.568 casos em 2025.
  • Programas como o Empoderadas já ajudaram 35 mil mulheres desde o início, oferecendo defesa, apoio jurídico e psicológico.
  • Especialistas associam o crescimento da violência a fatores como a misoginia online e destacam a necessidade de leis mais eficazes, apesar de avanços legais existentes.

Em um estúdio de artes marciais na entrada de uma favela de praia do Rio de Janeiro, uma mestre de muay thai ensina jovens mulheres a evitar golpes, proteger a cabeça ao cair e romper agarrões. O clima é de foco técnico e de preparação para enfrentar situações de violência de gênero que vêm ganhando notoriedade no país.

Dados divulgados sugerem que a violência contra mulheres no Brasil segue alta e em crescimento. Em pesquisa de 2025, 37,5% das entrevistadas afirmaram ter vivenciado algum tipo de violência no último ano, cenário que inclui abuso verbal, físico, violência sexual e stalking. O número de feminicídios subiu 14,5% em cinco anos, chegando a 1.568 casos em 2025. Em 16 estados, 13% das vítimas tinham medida protetiva contra o agressor.

A adesão a esportes de combate entre mulheres também tem mostrado mudança de comportamento. Uma parcela relevante busca aprender autodefesa para aumentar a confiança e a percepção situacional, sem abrir mão de suporte emocional e jurídico. A ideia é transformar o aprendizado técnico em rede de apoio, conforme relatos de profissionais da área.

Demanda por autodefesa e rede de apoio

Em Rio de Janeiro, a construção de programas gratuitos de autodefesa tem ganhado espaço entre políticas locais. O Instituto de Defesa da População Negra, em parceria com a prefeitura, organizou a iniciativa que reuniu cerca de 30 mulheres para aula de sábado. Aulas incluem técnicas de defesa, além de orientação sobre direitos e encaminhamentos legais.

Especialistas destacam que a demanda é impulsionada tanto pela exposição de casos de violência quanto pela percepção de falhas na proteção formal. A promotora Étéria Paes, criadora de um programa estadual de autodefesa, aponta que, desde o seu surgimento há sete anos, mais de 35 mil mulheres já utilizaram os serviços, que abrangem também apoio jurídico e psicológico.

A prática de artes marciais vem ganhando espaço entre as mulheres de várias regiões. Pesquisas de mercado indicam que seis em cada dez brasileiras praticam ou desejam praticar algum esporte de combate, citando como motivação a proteção pessoal. Relatos de alunas enfatizam sensação de maior liberdade de movimento, maior atenção a situações de risco e autonomia para fugir de ataques.

Profissionais ouvidas destacam ainda que o que motiva a busca por autodefesa vai além da técnica: é sobre romper ciclos de violência e construir redes de suporte. Em Rocinha, na maior favela do Rio, uma professora de muay thai abriu espaço para aulas gratuitas voltadas a mulheres e meninas, consolidando-se como referência local de acolhimento e proteção.

Protagonistas do movimento ressaltam que, apesar dos avanços legais, a aplicação prática das leis nem sempre é efetiva na ponta. Ao mesmo tempo, a atuação organizada de mulheres em favelas e cidades reforça a necessidade de políticas públicas consistentes e investimento em proteção.

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