- Peter Molyneux, de sessenta e seis anos, afirma que Masters of Albion, na função de diretor criativo da 22cans, será seu projeto final e representa um retorno às raízes de Populous.
- O jogo propõe construir e gerenciar assentamentos de dia, defendê-los à noite e controlar personagens, com foco na liberdade e na experimentação de gêneros.
- Sobre a IA, ele vê potencial, mas diz que a tecnologia ainda não está pronta para uso completo em jogos e defende salvaguardas para evitar abusos; compara recentes avanços a uma grande mudança tecnológica.
- O cenário do Reino Unido é citado como favorável à criatividade, com Guildford funcionando como polo da indústria; há risco competitivo frente a China e os Estados Unidos, e o UK Interactive Entertainment ressalta a necessidade de apoio público e investimento.
- Masters of Albion será lançado em acesso antecipado no Steam para reduzir pressão de lançamento; a 22cans tem cerca de 24 funcionários, e Molyneux admite que, se pudesse, teria falado menos à imprensa no passado.
Peter Molyneux, ícone britânico dos games, revela em entrevista que Masters of Albion será sua última criação como diretor criativo da 22cans. Aos 66 anos, ele projeta o título como retorno às raízes e reinvenção do gênero god game, que ajudou a popularizar com Populous em 1989. O foco está na liberdade do jogador para explorar sistemas, sem trilhos predeterminados.
O desenvolvedor descreve a jogabilidade como diurna, com construção e administração de asentamentos, e noturna, quando surgem ataques. Em momentos de jogo, o jogador pode assumir o controle de personagens individuais. Molyneux afirma que a essência é criar possibilidades que respondam à curiosidade, não obedecer a um caminho único.
Apesar de não ter energia para iniciar outro projeto do zero após Masters of Albion, ele aposta no potencial da IA para testar ideias com custos menores. No entanto, ressalta que a tecnologia ainda não está madura o suficiente para uso pleno em jogos e defende salvaguardas para evitar abusos.
Mudanças no setor e o papel do Reino Unido
Em Guildford, onde fica seu escritório, Molyneux aponta a cidade como polo da indústria britânica de jogos, abrigando hoje dezenas de estúdios, incluindo partes da EA e Ubisoft. Ele cita Hello Games, de No Man’s Sky, como exemplo de criatividade e disposição para riscos. O cenário é considerado pressionado pela concorrência internacional.
Nick Poole, da Ukie, reconhece a competitividade global, mas afirma que o Reino Unido continua entre as principais potências criativas do setor. Com apoio adequado, o país pode atrair investimentos, incentivar novos talentos e ajudar estúdios a crescer.
Apoio governamental e financiamento
O lançamento do London Games Festival coincidiu com a abertura de um fundo governamental de 28,5 milhões de libras para estúdios de jogos, com benefícios variáveis conforme o porte da empresa. O ministro Ian Murray, da cultura, afirma que o programa visa apoiar a etapa inicial de desenvolvimento de ideias e gerar impulso para o ecossistema.
Para Molyneux, o apoio é bem-vindo, especialmente para estúdios menores em fase de amadurecimento de projetos ambiciosos. Com uma equipe de cerca de 24 pessoas, a 22cans encara um ritmo de trabalho intenso e apostas significativas em cada lançamento.
Masters of Albion e lições da carreira
Masters of Albion será disponibilizado em acesso antecipado pela Steam, oferecendo aos jogadores a oportunidade de participar do desenvolvimento antes do lançamento oficial. O fundador da 22cans reconhece episódios passados de promessas exageradas, como o caso da árvore reativa em Fable, e admite ter sido empolgado demais em demos.
Se este for realmente seu último jogo, Molyneux admite que poderia ter sido mais contido na comunicação pública ao longo da carreira. Ainda assim, valoriza as experiências acumuladas como criador, considerando-as mais significativas do que eventuais arrepentimentos.
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