- Agentes regulatórios na Itália investigam Benefit, Sephora e a controladora LVMH por suposta venda de tratamentos anti-idade para crianças e uso de microinfluenciadores jovens para marketing de skincare.
- Crianças, a partir de 13 anos, recebem produtos gratuitos e promovem marcas em vídeos, criando um espaço regulatório cinzento para esse tipo de promoção.
- A prática envolve programas de embaixadores com idades variadas, incluindo casos de influenciadores com menos de dezoito anos sob permissão dos pais, sem regras claras sobre idade mínima.
- Reguladores e especialistas destacam riscos à segurança de pele de menores e apontam lacunas legais que não abarcam proteção específica a criadores infantis de conteúdo.
- Organizações e marcas, como Bubble e Evereden, afirmam seguir políticas de consentimento parental e testes de segurança, mas há dúvidas sobre aplicação prática e remuneração real dos menores.
Inúmeros vídeos no TikTok mostram crianças promovendo produtos de cuidados com a pele, comidamentos de marcas enviando itens em esquema de PR. Jovens entre 10 e 15 anos abrem caixas e descrevem as novidades, chamando o conjunto de itens de “PR haul”.
Participantes com 16 anos também aparecem, lendo notas de marcas que sugerem próximos conteúdos. A prática envolve influenciadores jovens que recebem produtos gratuitamente para publicar conteúdos de divulgação entre seguidores.
A prática ocorre em meio a alertas de dermatologistas de que muitos itens não são necessários para crianças e a preocupação de reguladores sobre a sua legalidade. Regulação de influenciadores mirins permanece em áreas cinzentas da lei.
Agcm está investiga benefici e Sephora
A Autoridade Grega de Concorrência da Itália (AGCM) investiga Benefit e Sephora por suposta estratégia de marketing dirigida a crianças, com uso de influenciadores jovens. A apuração envolve indicar se houve promoção velada de cosméticos para menores.
A AGCM também abriu inquérito contra a LVMH, dona das marcas, por possível venda de tratamentos anti-idade para crianças abaixo de 10 anos. A agência aponta falhas na comunicação de faixa etária adequada para produtos.
LVMH, Sephora e Benefit disseram que vão cooperar com as autoridades e manter conformidade com as normas italianas, sem comentar além disso. As empresas reforçam compromisso com regulamentação aplicável.
Modelos de embaixadores sob escrutínio
Uma investigação do Guardian identificou programas de embaixadores abertos a jovens a partir de 13 anos, com itens gratuitos em troca de conteúdos promovidos. Os termos variam e permanecem em área obscura da legislação.
A Evereden, marca de cuidados infantis, mantém programa sem idade mínima explícita e oferece acesso antecipado a novidades. Alguns influenciadores ligados à empresa teriam 12 anos. A marca afirma exigir consentimento dos pais para parcerias.
Do lado da Evereden, a agência não forneceu comentários adicionais. Em nota no site, a empresa afirma trabalhar com a audiência infantil com consentimento parental e ressalta que as parcerias devem ser éticas.
A Bubble, outra marca, também usa programa semelhante que exige 16 anos ou mais, tendo aceito crianças de 13 anos anteriormente. Participantes recebem pontos para compras mediante tarefas de criação de conteúdo.
Um exemplo citado pelo Guardian descreve uma jovem recrutada antes dos 16, com mudanças na política em 2025. A Bubble afirmou que não paga crianças para promover produtos e que a participação depende de consentimento parental.
Aspectos legais e proteção ao menor
Especialistas apontam que as regras de proteção ao trabalho infantil não se aplicam diretamente a influenciadores, exigindo avaliação caso a caso. Conteúdos de crianças não costumam ter amparo específico na legislação de segurança online.
Analistas lembram que a publicidade exige rotulagem clara, e que depender apenas de menção na bio pode violar normas de publicidade. A situação envolve fatores transnacionais e jurisdições diversas, dificultando o enquadramento legal.
Mães ou responsáveis costumam acompanhar as atividades, com alguns destacando ganhos de confiança, expressão e habilidades de comunicação. Ao mesmo tempo, alertas sobre exploração e remuneração adequada são mencionados por familiares.
Profissionais destacam que a linha entre promoção e trabalho regular é tênue, especialmente quando há tarefas programadas, presença em eventos e participação contínua. A discussão envolve proteção, fair play e valorização do trabalho criativo.
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