- Conpresp decide na segunda-feira, 27, se mantém o tombamento da antiga Escola Panamericana de Arte e Design em Higienópolis; o placar está em 4 a 3 pela reversão, e faltam dois votos.
- A votação foi retomada após pedido de vista do presidente do órgão, o procurador Ricardo Ferrari.
- Os herdeiros de Lipszyc, via Keeva Investimentos, defendem a reversão do tombamento; a ESPM incorporou o prédio neste ano.
- Zanettini, arquiteto do prédio, e apoiadores defendem a preservação, com apoio de entidades como o Docomomo paulista e o Instituto de Arquitetos do Brasil.
- O prédio, descrito como exemplo de arquitetura em aço e estética “high-tech”, tem quatro andares, estruturas expostas e foi inaugurado em 1998; o tombamento foi reconhecido por ser peça relevante da arquitetura paulistana do fim do século XX.
O Conpresp, conselho municipal de patrimônio, decidiu manter ou destombar o prédio da antiga Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, São Paulo. A votação, marcada para a próxima segunda-feira (27), envolve o risco de reversão do tombamento.
A decisão depende de um voto de vista do presidente do órgão, o procurador Ricardo Ferrari, que pode fechar o julgamento. O placar atual é de 4 a 3 pela reversão, defendida pela Keeva Investimentos, empresa dos herdeiros de Lipszyc, falecido em 2020. Ferrari votou a favor do tombamento na última análise técnica.
O histórico do caso remonta a 2021, quando o pedido de tombamento foi apresentado pela Appit, em meio à ameaça de demolição de outra unidade da escola nos Jardins. O prédio de Higienópolis foi mantido, e no fim de 2025 passou a integrar a ESPM como campus histórico.
Contexto histórico e arquitetura
O edifício é descrito como uma referência da arquitetura em aço com estética high-tech, inspirada por projetos como o Centro Pompidou. Inaugurado em 1998, a construção tem quatro andares, estrutura de aço exposto e instalações aparentes, marcando identidade pós-moderna.
Pesquisadores destacam que Zanettini, arquiteto responsável, buscava repensar modelos construtivos com o uso de estrutura metálica. Para o reconhecimento do tombamento, o imóvel foi considerado essencial para a arquitetura paulistana do final do século passado.
Partes envolvidas e posicionamentos
A defesa do tombamento está associada ao núcleo paulista do Docomomo, que enviou carta em apoio à preservação. A Keeva, por sua vez, argumenta que a medida restringe o direito de propriedade e pode impedir intervenções futuras no prédio.
O advogado da Keeva afirmou que a discussão ganhou contorno ideológico e garantiu que o prédio deve permanecer intacto. Em resposta, representantes de entidades técnicas ressaltam o valor histórico e cultural da obra para o centro de São Paulo.
Contexto urbano e desdobramentos
O caso ocorre em meio a um movimento de verticalização em Higienópolis, impulsionado pela Lei de Zoneamento. Três empreendimentos estão em construção a uma quadra da escola, aumentando a pressão por mudanças no uso do espaço.
A decisão final pode restringir ou liberar intervenções significativas no prédio, como reformas ou demolição. O resultado terá impacto sobre o uso futuro do espaço e seu papel na paisagem urbana da região central.
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