- Especialistas apontam que a pressão para parecer jovem vem das redes sociais e de uma cultura que valoriza o tempo todo a juventude.
- O psicanalista Lucas Scudeler diz que essa busca é um sintoma de vazio existencial, quando o corpo vira a principal fonte de valor.
- O caso de Margareth Serrão, de 60 anos, que afirmou se sentir 20 anos mais jovem após cirurgias, ilustra esse padrão.
- A matéria diferencia autocuidado e cirurgia como escolha, mostrando que envelhecer com dignidade pode ser visto como resistência a uma cultura que celebra o novo.
- A saída sugerida é construir uma identidade que não dependa da aparência, valorizando o tempo de amadurecimento e perguntas sobre si mesmo.
A busca compulsiva por rejuvenescimento é tema central de um debate sobre saúde mental e padrões estéticos. A pressão vem das redes sociais, de uma cultura que valoriza o novo e raramente reconhece o crescimento pessoal além da aparência.
Figuras públicas, como Margareth Serrão, mãe de Virgínia Fonseca, acabam expostas ao espaço de decisão entre envelhecer com naturalidade ou buscar alterações estéticas. Serrão afirmou sentir-se 20 anos mais jovem após um conjunto de procedimentos.
Para o psicanalista Lucas Scudeler, o problema não é o cuidado com a aparência, mas a relação que a pessoa estabelece com o corpo. Quando o corpo passa a ser a única fonte de valor, surgem fugas que podem se tornar hábitos.
Cobrança por juventude
As redes sociais criaram uma vitrine 24 horas por dia, onde a aparência é avaliada. A cultura incentiva manter um personagem, o que gera exaustão e distorção da identidade. O desafio é diferenciar vitalidade de apenas parecer jovem.
Segundo Scudeler, juventude não é pele lisa, e sim abertura para aprender. Velhice seria fechamento e certezas engessadas. Mesmo jovens podem internalizar um envelhecimento precoce se não questionarem o próprio valor.
Envelhecer com dignidade aparece, hoje, como ato de resistência. O especialista aponta que aceitar o tempo e construir uma identidade além da aparência são caminhos para não se prender a padrões.
A orientação é clara: investir em autoconhecimento e relações que tragam significado, em vez de depender apenas da aparência para se sentir valioso. O espelho não substitui a construção interior.
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