- Criminosos que atuam de bicicleta para furtos e roubos de celulares em São Paulo gravam os crimes e publicam os vídeos em redes sociais, com perfis debochando da desatenção das vítimas.
- Em diversas regiões da capital, como Pinheiros e Avenida Paulista, as imagens são gravadas pelos próprios criminosos ou por comparsas e, às vezes, editadas com músicas que fazem referência ao crime.
- O Estadao identificou casos no Instagram; algumas contas foram derrubadas pela Meta, que disse estar apurando as situações.
- A Secretaria de Segurança Pública afirmou que o Deic monitora a divulgação de crimes online e que o policiamento está reforçado; vítimas devem registrar boletim de ocorrência para subsidiar investigações.
- Um caso envolvendo um motorista de aplicativo na zona norte, em fevereiro, mostra perdas de cerca de R$ 1,5 mil e levou o condutor a abandonar as atividades, após o roubo de celular da passageira.
Os criminosos que atuam de bicicleta em São Paulo registraram furtos e roubos de celulares em vídeos divulgados nas redes sociais. Perfis vinculados a gangues, como a chamada “gangue do 55”, já publicaram imagens de crimes com descrições provocativas, inclusive debochando da desatenção das vítimas.
Os vídeos costumam ser gravados pelos próprios infratores ou por cúmplices próximos. Em alguns casos, o conteúdo foi removido pela plataforma, mas outras contas seguem ativas com novas publicações. As ações ocorrem em diferentes regiões, entre elas Pinheiros e a Avenida Paulista.
Em uma gravação, um suspeito em bicicleta sai de uma ciclovia, aproxima-se de uma calçada e leve o celular de um homem sentado em frente a um estabelecimento. A legenda cita que o crime segue sendo praticado por integrantes da gangue. A publicação acumulou milhares de visualizações antes de ser derrubada.
Outra filmagem mostra um criminoso pela calçada, pegando o celular de um homem próximo ao meio-fio, com a cena editada ao som de músicas que mencionam o delito. A SSP-SP confirmou que o Deic monitora a divulgação desses casos para identificar e responsabilizar os autores.
A Secretaria ressaltou que vítimas devem registrar boletim de ocorrência nas delegacias da região ou pela Delegacia Eletrônica, para subsidiar as investigações. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 181. A colaboração da população é considerada essencial pela pasta.
Caso de motorista de aplicativo
Raphael Silva, 32 anos, relata ter tido o vidro do carro quebrado por um ladrão que, de bicicleta, levou o celular de uma passageira na região da Casa Verde, zona norte. O crime ocorreu em fevereiro, próximo ao cruzamento da Avenida Engenheiro Caetano Álvares com a Rua Zilda. A vítima tinha ferimentos no braço e Raphael ofereceu ajudála, mas ela preferiu ir para casa.
Pouco tempo depois, a vítima constatou invasão de sua conta bancária. O motorista encerrou as atividades após o episódio. Os golpes contra motoristas e passageiros são: as ações ocorrem em vias de tráfego intenso e bairros como Perdizes, Ipiranga e Vila Mariana, além de pontos conhecidos no centro.
A SSP-SP informou que o caso de dano ao veículo foi registrado e aguarda a representação da vítima. O enfrentamento a furtos de celulares ocorre de forma contínua e estratégica, com base em análise da mancha criminal e direcionamento do policiamento ostensivo.
Raphael descreve que, após o episódio, temeu voltar a trabalhar nas ruas. Em poucos dias, devolveu o carro à locadora e mudou de área profissional, migrando para a confeitaria.
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