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Cidade fantasma na Amazônia abriga projeto fracassado de bilionário

Fordlândia, cidade americana no Pará criada por Henry Ford, fracassou diante da borracha natural, revoltas trabalhistas e surgimento da borracha sintética, restando ruínas

Fordlândia integra o mistério do abandono à resiliência da floresta ao seu redor (imagem ilustrativa)
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  • Fordlândia é um distrito de Aveiro, no Pará, às margens do rio Tapajós, criado por Henry Ford na Amazônia.
  • A Ford Motor Company recebeu concessão de 14.568 km² em 30 de setembro de 1927, com isenção de taxas sobre borracha, látex e outras atividades, em troca da compra de terras por 125 mil dólares a Jorge Dumont Villares.
  • O projeto importou uma cidade de Michigan em 1928, com hospital, escola, cinema, campos e moradias alinhadas na Palm Avenue, seguindo padrões da arquitetura estadunidense.
  • O fracasso ocorreu por três razões: doença das seringueiras, revoltas dos trabalhadores e a ascensão da borracha sintética após a Segunda Guerra Mundial; o empreendimento foi encerrado em dezembro de 1945 e as terras foram devolvidas por 250 mil dólares; Ford morreu em 1947 sem visitar o lugar.
  • Hoje resta Fordlândia como museu a céu aberto, com ruínas de hospital, caixa d’água, galpões enferrujados e a Vila Americana, acessível apenas por rio a partir de Santarém, sem tombamento oficial.

Fordlândia: a cidade fantasma ergueida por Henry Ford na Amazônia e o fracasso de um projeto bilionário

Às margens do Rio Tapajós, no oeste do Pará, fica Fordlândia, distrito criado por Henry Ford. Casas de madeira com varandas, um hospital projetado por Albert Kahn e galpões industriais resistem à mata, em um legado que nunca chegou a prosperar. A ideia era divergir da dependência da borracha.

A Ford Motor Company buscava evitar domínio de cartel britânico na borracha, com concessão de 14.568 km² estadual em 1927. A área foi concedida pela Assembleia Legislativa do Pará, por iniciativa do governo de Dionísio Bentes, mediante pagamento de 125 mil dólares a Jorge Dumont Villares.

O início de uma cidade importada

Em 1928, Ford importou parte de Michigan para a Amazônia: madeira pré-cortada, telhas, maquinário e até um hospital desmontado. A proposta previa alojar 10 mil pessoas, com hospital completo, escola, cinema, campo de golfe, piscina e uma serraria.

A arquitetura seguiu o modelo dos subúrbios de Michigan, com Palm Avenue como rua central. O hospital, considerado o mais moderno da região na época, foi desenhado pelo arquiteto americano Albert Kahn. Regras rígidas de vida laboral também foram impostas aos trabalhadores brasileiros.

O golpe do fracasso

O projeto enfrentou três dificuldades centrais. Primeiro, biológica: as plantações de seringueira em monocultura foram devastadas por fungos. Segundo, social: conflitos entre trabalhadores locais e a gestão americana. Terceiro, econômico: após a Segunda Guerra, a borracha sintética ganhou relevância.

A Ford tentou transferir parte das operações para Belterra, a 48 km de Santarém, em 1934. Em 1945, já sob Henry Ford II, o empreendimento foi encerrado e as terras retornaram ao governo brasileiro por 250 mil dólares. O prejuízo estimado chegou a dezenas de milhões de dólares na época.

O legado que persiste

Hoje, Fordlândia pertence ao município de Aveiro, com cerca de 19 mil habitantes estimados para 2025. Cerca de 2 mil moradores vivem na vila, entre casas originais restauradas e estruturas em ruínas. O hospital de Albert Kahn permanece de pé, com a vegetação tomando os corredores.

O galpão da serraria e a Vila Americana preservam maquinários enferrujados e casas com traços da arquitetura importada. Um pequeno cemitério americano guarda sepulturas de expatriados que não retornaram aos Estados Unidos. O pedido de tombamento ao IPHAN não avançou.

Como visitar

O acesso é exclusivamente fluvial, partindo de Santarém, com barco que leva de 12 a 18 horas até Fordlândia. Alter do Chão oferece expedições de 2 a 3 dias combinando visitas com paradas no Tapajós. O clima amazônico separa o ano em períodos bem distintos.

Fordlândia permanece como museu a céu aberto, lembrando a derrota de um sonho bilionário diante da força da floresta. O local, ainda não tombado, oferece visão única sobre o confronto entre industrialização e natureza.

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