- Em 9 de junho de 1933, em Madri, Aurora Rodríguez Carballeira assassinou a própria filha Hildegart Rodríguez Carballeira, atirando três vezes no rosto e uma no peito enquanto a jovem dormia.
- Ela pediu a empregada para levar os cachorros e, após o crime, foi ao encontro de seu amigo e advogado José Botella Asensi para confessar, descrevendo o que fez sem omitir detalhes.
- Hildegart, 18 anos, era prodígio e ativista, autora de vários trabalhos e líder em pautas como educação sexual e liberação feminina, criada pela mãe para ser a “mulher perfeita”.
- O motivo do homicídio permanece discutido por estudiosos; não há explicação única, e o caso ganhou explicações que vão desde questões amorosas até pressões ideológicas ou artifícios de controle.
- No julgamento, Aurora foi condenada a vinte e seis anos, oito meses e um dia de prisão; em 1935 foi transferida para o hospital psiquiátrico de Ciempozuelos, onde permaneceu até a morte em 1956.
Aurora Rodríguez Carballeira, em Madri, acordou na madrugada de 9 de junho de 1933, banhou-se, vestiu-se e pediu à empregada que levasse os cães. Em seguida, atirou na filha, Hildegart Rodríguez Carballeira, que dormia. Depois, foi conversar com o advogado José Botella Asensi para confessar o crime.
A filha era uma jovem prodígio, ativista pela liberação sexual e pela reforma social. Hildegart tinha 18 anos e já escrevia, palestrava e defendia direitos das mulheres. A relação entre mãe e filha foi marcada por controle e dedicação obsessiva.
Aurora nasceu por volta de 1879, na Galícia, e planejou desde o nascimento a criação da filha ideal. Adotou ideias de eugenia e descreveu Hildegart como uma “estátua de carne” destinada a redimir a humanidade. O objetivo era formar a mulher perfeita.
O nascimento de Hildegart
Hildegart veio ao mundo em 9 de dezembro de 1914. A educação foi quase total de responsabilidade de Aurora, que reuniu conhecimentos da biblioteca do pai para repassar à filha. Aos dois anos, Hildegart já lia; aos três, escrevia. Aos oito, dominava idiomas.
Aos 13 anos, Hildegart era formada com honras e aos 14 iniciou Direito, com licença por idade. Tornou-se figura pública, apoiando causas como educação sexual, controle de natalidade e divórcio. Escreveu sobre temas variados e publicou 16 monografias.
A trajetória pública de Hildegart
A jovem tornou-se líder feminista e intelectual reconhecida. Em 1932, participou da Liga Espanhola para a Reforma Sexual, ao lado de Gregorio Marañón. Sua proximidade com a mãe, no entanto, era marcada por supervisão constante e convivência intensa.
Pouco antes da morte, Hildegart escreveu artigos que, segundo estudiosos, teriam relação com as motivações de Aurora. A leitura de ideias como eugenia reforçava a percepção de que a filha seguia um caminho diferente do esperado.
O que motivou o assassinato
Especialistas apontam o choque entre o projeto materno e o comportamento de Hildegart como possível gatilho, mas não há explicação única. Aurora acreditava ter criado uma missão histórica para Hildegart, cuja emancipação potencial ameaçaria o plano materno.
Essa mistura de ambição, controle e contexto político contribuiu para o desfecho trágico. Análises destacam que o crime pode ter sido resultado de uma convergência de fatores pessoais e sociais da época.
O julgamento e o desfecho
O assassinato ocorreu em meio a uma crise política na Espanha, que influenciou a cobertura da imprensa. Em 1934, o julgamento começou com defesa de que Aurora era portadora de doença mental, posição que não prevaleceu.
Aurora foi condenada a 26 anos, 8 meses e 1 dia de prisão. Em 1935, foi transferida para o hospital psiquiátrico de Ciempozuelos, onde permaneceu até morrer em 1956. O caso contribuiu para debates sobre psicopatologia e educação na época.
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