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Feminicídios em SP sobem 41% no trimestre; furtos e roubos caem

Feminicídios em São Paulo alcançam recorde no primeiro trimestre, com alta de 41%, enquanto homicídios, roubos e furtos caem, aponta SSP

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  • No primeiro trimestre de 2026, São Paulo registrou 86 feminicídios, o maior número da série histórica, com alta de 41% frente ao mesmo período de 2025 (61 casos).
  • Os registros ficaram divididos em: 27 em janeiro, 29 em fevereiro e 30 em março, aproximando-se do recorde de 2024 (75 casos).
  • A SSP atribui o crescimento à melhor identificação dos feminicídios e à ampliação de canais de denúncia e redes de proteção; um caso emblemático foi o da soldado Gisele Alves Santana, morta em fevereiro, cujo crime é considerado feminicídio.
  • A delegada Monique Ferreira Lima ressalta que o aumento pode refletir reconhecimento de crimes já existentes e não necessariamente mais mortes; a PM pretende lançar patrulhas lilases de violência doméstica a partir de maio e ampliar atendimento às vítimas.
  • Em contrapartida, houve queda em outros indicadores: homicídios dolosos passaram de 660 para 632, latrocínios de 38 para 19, roubos de 45 mil para 36,5 mil e furtos de cerca de 140 mil para 132 mil.

O estado de São Paulo registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior número de feminicídios já apurado na série histórica, iniciada em 2018. Foram 86 casos entre janeiro e março, com 27 em janeiro, 29 em fevereiro e 30 em março, conforme dados da SSP.

O aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025 (61 casos) é destacado pela SSP como resultado de melhor registro dos crimes e de fortalecimento de canais de denúncia. Em 2024, o trimestre com 75 feminicídios ficou mais próximo, mas o número de 2026 supera períodos anteriores.

Dentre os casos, esteve o da soldado Gisele Alves Santana, 32, morta com tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no Brás, região central de São Paulo. O crime, inicialmente tratado como suicídio, passou a feminicídio após investigações e parecer do Ministério Público. O possível autor é o marido, um tenente-coronel da PM, que está preso preventingemente.

Para a delegada Monique Ferreira Lima, titular da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, o registro elevado não indica apenas mais mortes, mas melhora na identificação de crimes. Ela aponta que ocorrências antes classificadas como homicídios comuns podem ser reclassificadas para feminicídio com a tipificação mais recente.

A ampliação de canais de denúncia e o fortalecimento da rede de proteção foram citados pela delegada como fatores relevantes, mas reconhece que ainda há lacunas. A polícia pretende manter prisões, reforçar a atuação e promover mudanças culturais para enfrentar a violência de gênero.

A imprensa destaca também a pressão por transformação social, com foco em igualdade de gênero e combate à misoginia. A OAB aponta o papel da misoginia digital na escalada da violência, enquanto pesquisadores ressaltam a necessidade de delegacias 24 horas e melhoria no monitoramento de agressores.

Queda de homicídios, roubos e furtos

Apesar do aumento dos feminicídios, outros indicadores criminais apresentam queda no estado no mesmo período. Os homicídios dolosos caíram de 660 para 632; os latrocínios foram reduzidos de 38 para 19, o menor patamar da série histórica.

Crimes patrimoniais também recuaram, com roubos passando de mais de 45 mil para 36.514 ocorrências entre janeiro e março; furtos caíram de cerca de 140 mil para 132 mil registros. Os roubos de carga atingiram o menor nível já registrado, com 656 ocorrências no trimestre, queda de 32,4% frente a 2025.

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