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O não-dito vira competência, mas o uso que fazemos dele é o desafio

Captar os não-ditos revela a dinâmica oculta do trabalho; mudanças na raiz do sofrimento exigem pactos institucionais e ações profundas

O não-dito virou habilidade. O problema é o que fazemos com ele
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  • Jensen Huang afirma que a pessoa mais inteligente no trabalho é quem consegue inferir os não-ditos, frase que voltou a circular.
  • Não-ditos não são apenas o que alguém decidiu não falar; há o nível inconsciente que influencia as dinâmicas do grupo.
  • Psicanálise e antropologia ajudam a entender o funcionamento organizacional, onde existem regras formais e normas não escritas.
  • Esses não-ditos podem sustentar tensões e a dinâmica de luta-fuga, causando desgaste e sofrimento psíquico se não são enfrentados.
  • A solução está em ir à raiz do problema, com mudanças que costumam ter custo, exigindo um pacto ético e institucional.

O tema do não-dito voltou a ganhar espaço após a circulação de um vídeo desta semana com Jensen Huang, CEO da Nvidia. Nele, Huang afirma que a pessoa mais inteligente no trabalho é aquela que consegue inferir o que não é dito. A fala ganhou repercussão por abordar uma habilidade que pode influenciar decisões e o clima organizacional.

Segundo o conteúdo, o não-dito não se limita a segredos ou palavras não ditas intencionalmente. Há uma camada inconsciente presente nas dinâmicas de grupo que orienta comportamentos, metas e relações no ambiente de trabalho. A ideia é ampliar o olhar além do que é explicitamente falado.

O que é o não-dito no trabalho

A leitura aponta que a cultura corporativa define regras não escritas que guiam a rotina, muitas vezes sem que haja explicação formal. Assim, o que é oficial nem sempre coincide com o que, de fato, move a organização.

A psicanálise é citada como ferramenta para entender essa escuta profunda. Em grupo, pressões e conflitos podem levar a modos de funcionamento que priorizam a preservação, como a dinâmica de luta-fuga, evitando o enfrentamento direto de questões centrais.

Implicações para o ambiente corporativo

Não-ditos cumprem função de autopreservação, mas podem sustentar desgaste e sofrimento psíquico se alicerçarem situações problemáticas. A discussão sobre saúde mental nas empresas ganhou relevância, porém, nem sempre atinge a raiz do problema.

A abordagem sugerida é ir além do sintoma e mirar a causa. A proposta é promover mudanças estruturais que interrompam os padrões que alimentam o adoecimento, reconhecendo que isso envolve custos e um pacto ético institucional.

Desafios da implementação

A escuta dos não-ditos exige coragem para enfrentar mudanças que podem desorganizar o funcionamento atual. Em alguns momentos, manter o status quo parece mais seguro do que alterar a base que sustenta o trabalho já estabelecido.

Especialistas destacam que não basta lideranças habilidosas: é necessário um compromisso institucional para promover transformações que reduzam o sofrimento no trabalho.

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