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Fuzis como símbolo de facções Brasil, explica chefe da fiscalização e Beira-Mar

Fuzil passa a simbolizar facções no Brasil; documentário mostra como arma modificou o enfrentamento policial e a expansão do crime

Como o fuzil virou símbolo das facções no Brasil? Chefe da fiscalização no Rio e Fernandinho Beira-Mar explicam — Foto: Reprodução/Globoplay
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  • No fim dos anos oitenta e no começo dos noventa, facções brasileiras passaram a usar fuzis em vez de pistolas, mudando o combate ao crime.
  • O delegado Vinicius Domingos, chefe da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos, diz que filmes de Hollywood influenciaram a adoção do fuzil AR‑15 como símbolo.
  • Fernandinho Beira‑Mar afirma que a arma não foi pensada para enfrentar a polícia, mas acabou sendo usada também para esse fim.
  • José Júnior, fundador do AfroReggae, rebate a tese de defesa e aponta uso crescente dos fuzis para ataques a trabalhadores e outros crimes.
  • A adoção pelos grupos levou o Exército a doar armamento mais pesado à Polícia Militar e a Polícia Civil a utilizar material apreendido, revelando mudanças no aparato de segurança.

O fuzil tornou-se símbolo das facções no Brasil, influenciando o espectro do crime organizado. O tema é explorado no 100º documentário da série Territórios – Sob o Domínio do Crime, produzido pelo Globoplay. O segundo episódio analisa como a presença dessas armas impacta o combate policial e as estruturas criminosas no país. A série estreou na quinta-feira, 30, com todos os episódios disponíveis no Globoplay.

Segundo o Delegado Vinicius Domingos, chefe da Coordenadoria de Fiscalização de Armamentos e Explosivos no Rio de Janeiro, a pressão da cultura cinematográfica ajudou a consolidar o fuzil entre as facções. A referência a armas de fogo pesadas aparece como aspiração de protagonismo, associada a uma imagem de poder.

O documentário também traz a visão de Fernandinho Beira-Mar, um dos mais conhecidos traficantes do Brasil. O relato aponta que a função da arma não seria exclusivamente combater a polícia, mas enfrentar inimigos. Ainda que o uso contra forças de segurança seja citado, a narrativa enfatiza o papel estratégico da arma nos conflitos entre facções.

José Júnior, fundador do AfroReggae, discorda da ideia de defesa como justificativa para o uso de fuzis. Ele afirma que as armas passam a ter uso em ações contra trabalhadores e na violência urbana, reforçando a expansão das organizações criminosas. A letra direta das falas é apresentada por meio de depoimentos que enfatizam a ampliação da letalidade dessas facções.

O documentário destaca mudanças operacionais no aparato de segurança. O Exército passou a doar armamento mais pesado à Polícia Militar, enquanto a Polícia Civil passou a utilizar armas apreendidas com integrantes de facções. A transformação no padrão de artilharia influencia iniciativas de policiamento e estratégias de combate ao crime.

O Documentário

A série de seis episódios investiga como as organizações criminosas passaram a influenciar a vida social, econômica e política do Brasil. O objetivo é entender o domínio destas estruturas, bem como as respostas de policiais, autoridades e veículos de combate. O projeto envolveu mais de 29 jornalistas e viagens nacionais e internacionais, com depoimentos de especialistas, agentes do Estado, vítimas e membros de facções.

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