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Obras públicas noturnas em SP incomodam moradores sem fiscalização de ruído

Obras públicas noturnas em São Paulo seguem sem fiscalização de ruído, comprometendo sono e saúde de moradores

Operários trabalham em obra da estação Santa Marina, da linha 6-laranja do metrô; atividade não está sujeita a limite de ruído
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  • Obras públicas realizadas de madrugada em São Paulo não estão sujeitas à fiscalização de ruído, segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, inclusive se executadas por concessionárias privadas.
  • Moradores de diferentes bairros relatam barulho intenso durante a madrugada, com poda de árvores, recape e atividades da linha 6-laranja do metrô, em episódios na Bela Vista, Perdizes e Liberdade.
  • Casos recentes incluíram reclamações registradas durante a madrugada e pouca resposta de órgãos, levando moradores a suportar o incômodo e impactos na rotina.
  • Moradores relatam efeitos na saúde, como dor de cabeça, sono prejudicado e irritação, além de relatos de insegurança e danos estruturais próximos às obras.
  • Especialistas alertam para riscos à saúde auditiva e extra-auditiva, defendem políticas públicas de controle de ruído e maior transparência sobre projetos e impactos das obras.

Sem fiscalização de ruído, obras públicas noturnas têm tirado o sono de moradores em São Paulo. De acordo com informações oficiais, intervenções realizadas no período noturno não estão sujeitas às restrições de horário previstas em decreto municipal.

Relatos de moradores apontam que atividades como poda de árvore, recapeamento e construção de estações de metrô ocorrem entre a meia-noite e o começo da manhã. Eles dizem que o barulho invade a residência e compromete a qualidade de vida.

Na madrugada de 11 de março, o professor Leonardo Sasaki acordou por volta das 2h com sons fortes na esquina das ruas Acaraú e Avanhandava, em Bela Vista. Havia caminhão, guindaste e motosserras em operação de poda.

Ele buscou ajuda junto a autoridades, mas foi orientado a reconhecer a trabalho da prefeitura, segundo relato. O barulho cessou por volta das 3h30, sem solução satisfatória no momento da tentativa de contato.

Moradores da região de Perdizes, na rua Wanderley, também relatam intervenções frequentes, inclusive de madrugada, com britadeiras e caminhões. Eles dizem que as obras começaram a aumentar em 2023 e são associadas a recapeamentos.

A moradora Mafê Verdiani descreve planejamento inadequado das obras, com carros estacionados que precisam ser deslocados repetidamente. Reclamações foram feitas ao portal 156 e à polícia, sem resposta consistente.

Mudanças de tema: impactos e respostas oficiais

Em São Paulo, obras públicas não seguem restrições de ruído previstas no decreto 60.851/2021. A prefeitura afirma que valem para obras executadas por concessionárias privadas e que não há fiscalização pelo PSIU nesses casos.

Na região da Liberdade, próximo à estação São Joaquim, moradores relatam transformação do ambiente desde a implantação da linha 6-laranja do metrô. Área verde dos fundos foi substituída por obras com ruídos contínuos dia e noite.

Os moradores afirmam que, mesmo com mobilização para reduzir atividades noturnas, o barulho persiste, especialmente entre 6h30 e 9h30. Alguns relatos mencionam ainda impactos sonoros fora do horário permitido.

Além do ruído, há relatos de sensação de insegurança. Um prédio vizinho precisou ser evacuado por risco estrutural, e casas próximas apresentam sinais de desgaste. A comunicação com as empresas responsáveis é apontada como falha.

O Metrô afirmou lamentar os transtornos e informou que acionará a construtora responsável. A Linha Uni disse manter equipes de comunicação 24 horas para tratar demandas locais, incluindo impactos sonoros.

Especialistas e impactos à saúde

Especialistas destacam que o ruído pode trazer efeitos além do incômodo. A fonoaudióloga Marília Zannon afirma que exposição prolongada pode causar perda auditiva e zumbido, além de prejudicar sono, humor e concentração.

Ela ressalta que impactos extra-auditivos são comuns: insônia, tonturas, estresse, ansiedade e fadiga mental. Doenças digestivas, cardiovasculares e neurológicas também são citadas como possíveis consequências.

Zannon reforça que soluções não passam apenas por isolamento acústico individual, mas por políticas públicas que regulem o ruído em ambientes urbanos e obras. Campanhas de conscientização também são estratégicas para reduzir os impactos à saúde.

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