- Pesquisas da terceira edição do Check-up de Bem-estar 2025 (2026) apuram que 70% das mulheres relatam sentimentos negativos sobre o trabalho, versus 51% dos homens, em 11.600 pessoas de 250 grandes empresas.
- As mulheres são as que mais recorrem a terapias e medicamentos: 16% fazem terapia e 18% usam remédios, enquanto a maioria dos homens afirma não cuidar da saúde mental.
- Entre mulheres negras, a insatisfação chega a 33% (contra 25% entre brancas), e elas relatam maior acúmulo de dupla jornada; na Geração Z, 26% das mulheres negras percebem o peso, ante 19% dos homens negros.
- Especialistas apontam que a infelicidade está vinculada ao esgotamento mental e a uma sobrecarga estrutural, não apenas a traços individuais, destacando a necessidade de políticas ocupacionais e de bem-estar.
- O governo anunciou a implementação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), com gestão de riscos ocupacionais e Programa de Gerenciamento de Riscos até maio de 2026, incluindo riscos psicossociais.
O estudo O Check-up de Bem-estar 2025 (2026) aponta que 70% das mulheres relatam sentimentos negativos ligados ao trabalho, como ansiedade e desmotivação, frente a 51% dos homens. A pesquisa ouviu 11.600 trabalhadores de 250 grandes empresas brasileiras.
Segundo a Vitalink, plataforma de benefícios de saúde e bem-estar, mulheres demonstram maior sobrecarga. Entre elas, há maior relato de dupla jornada e menos suporte no ambiente profissional, o que contribui para o esgotamento emocional.
A pesquisa também traça diferenças entre grupos: mulheres negras apresentam índices mais altos de insatisfação (33%) do que mulheres brancas (25%). Elas são as que mais relatam acúmulo de responsabilidades de cuidado e tarefas domésticas no dia a dia.
Ainda conforme o levantamento, 38% das mulheres relatam dupla jornada por serem responsáveis por cuidados familiares, frente a 24% dos homens. Na Geração Z, mulheres negras chegam a 26% neste item, contra 19% dos homens negros da mesma geração.
Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink, afirma que o problema é estrutural e não individual. O bem-estar feminino no trabalho, segundo ele, impacta resultados das empresas e não deve ser tratado apenas como pauta de diversidade.
O estudo revela que, apesar da maior busca por suporte, 16% das mulheres fazem terapia e 18% utilizam medicamentos para saúde mental. Entre os homens, a maioria afirmou não adotar medidas de cuidado, com 39% dizendo que não tomam nenhuma ação, sobretudo na geração Z.
Jaqueline Gomes de Jesus, psicóloga e professora do IFRJ, associa a infelicidade no trabalho ao esgotamento mental. Ela aponta superexploração histórica das mulheres, com jornadas duplas e triplas que persistem, apesar de mudanças ainda lentas no mercado.
Dados do SUS indicam que 70% dos atendimentos por burnout são de mulheres, refletindo a predominância dessas condições entre elas. O 5º Relatório de Transparência Salarial aponta diferença salarial de 21% entre homens e mulheres, mesmo após avanços legais.
Maíra Liguori, diretora das organizações Think Olga e Think Eva, ressalta que o esgotamento dificulta o acesso a direitos e oportunidades. A sobrecarga envolve responsabilidades de cuidado, finanças familiares e atuação no mercado de trabalho, o que reduz o tempo para repensar desequilíbrios.
Governo federal: novas diretrizes para saúde mental no trabalho
No dia 26, a NR-1 passa a vigorar em todo o país, com diretrizes obrigatórias de Segurança e Saúde no Trabalho para trabalhadores com carteira CLT. A norma exige Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e a criação de um Programa de Gerenciamento de Riscos, com foco em riscos psicossociais como estresse e sobrecarga.
Especialistas veem a atualização como medida estratégica, ao ampliar ações de cuidado e promoção da saúde mental no ambiente laboral. A normativa facilita o uso de políticas públicas e práticas corporativas para equilibrar vida pessoal, casa e trabalho.
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