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Roteiro de sabores do sertão ensina como saborear carne de sol

Brasília consolida a carne de sol como marca da gastronomia local, mesclando tradição nordestina com criações artesanais e acompanhamentos variados

Risoni rubacão do Amélia Restaurante, releitura do rubacão nordestino tradicional - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
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  • A carne de sol é presença constante em restaurantes de Brasília, aparecendo em versões assada, frita, desfiada e em preparos como escondidinho e baião de dois.
  • Restaurantes emblemáticos refletem a identidade da cidade: Olinda Bar e Gibão destacam tradição nordestina e qualidade, com pratos que valorizam a fartura e o compartilhamento à mesa.
  • O Olinda Bar, aberto em 1987, servia originalmente carne de sol com acompanhamentos tradicionais e hoje mantém variações como escondidinho e carne de sol na nata.
  • O Gibão surgiu em 1979 e tornou-se referência na capital pela preparação artesanal da carne de sol, oferecendo o prato Juazeiro e uma montagem que facilita o serviço compartilhado.
  • O cardápio de Casa Baco agrega influências regionais com pratos como o steak tartare de carne de sol, acompanhado por aioli de pequi, tucupi, picles de maxixe e castanha de baru; há também o Carcará, coquetel autoral.

Brasília mantém viva a carne de sol como referência da culinária nordestina, presente em restaurantes da capital em várias versões, desde assada até desfiada. O prato simboliza memória afetiva e tradição de compartilhamento à mesa.

Ao longo de quase 60 anos, a cidade recebeu moradores nordestinos que trouxeram a receita. Hoje, a carne de sol aparece em receitas como escondidinho e baião de dois, além de variações em casa de hóspedes e chefs locais.

Chef Isabela Xaxá comenta que a memória e o sabor marcante da carne de sol atraem o público, que valoriza também a maciez da proteína e a ideia de fartura. Eudicine Almeida ressalta o aspecto afetivo ligado à comida compartilhada.

Romão Olinda, ao ouvir elogios à qualidade dos acompanhamentos, destaca que a região oferece mandioquinha, feijão-verde, paçoca de carne e manteiga de garrafa, itens que não são comuns em todos os lugares. Segundo ele, Brasília tem as melhores carnes de sol que já provou.

Mistura de influências

Gil Guimarães, da Casa Baco, aponta que o restaurante privilegia a cozinha brasileira, com presença de pizza napolitana no cardápio. O menu valoriza produtos do cerrado e itens do norte do Brasil, como tambaqui, tucupi e feijão manteiguinha de Santarém, além da carne de sol.

O steak tartare de carne de sol, por exemplo, reúne manteiga do sertão, aioli de pequi, tucupi e picles de maxixe, finalizado com castanha de baru para crocância. Guimarães reforça a relação entre a origem sertaneja e a vida em Brasília, com inspiração de quem chegou ao cerrado.

Ele lembra que a carne de sol começou como opção econômica na capital, ganhando restaurantes que a difundiram. Hoje, o uso de ingredientes de maior qualidade marca a evolução da tradição.

Pioneiro da gastronomia

O Olinda Bar e Restaurante, com quase 40 anos de atuação, nasceu no contexto de migração nordestina para Brasília. O fundador relata que o pai era retirante que chegou à capital para trabalhar no canteiro de obras do Senado.

Desde 1987, a casa serve carne de sol como prato principal, acompanhada de arroz, feijão fradinho, mandioca e manteiga de garrafa. Variedades como escondidinho de carne de sol e carne de sol na nata constam no cardápio desde o início.

Tradição na cidade

O Gibão nasceu em 1979, com a mudança da família do fundador para Brasília. Em 1996, abriu unidade no Parque da Cidade, mantendo-se até hoje. A casa reforça o preparo artesanal da carne de sol e o compromisso com qualidade.

O prato destaque é o Juazeiro, servido para 2 a 3 pessoas, com arroz, feijão-de corda, mandioca, paçoca, carne de sol, vinagrete e manteiga de garrafa, apresentado de forma que facilita o serviço compartilhado. A casa também oferece o Carcará, coquetel com pinga, vodka, limão e cupuaçu.

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