- O Museu do Zebu, instalado no Parque Fernando Costa, em Uberaba, exibe trajetória do gado zebuíno e memórias ferroviárias, com fotos históricas e jornais centenários no acervo mantido pela ABCZ.
- O acervo mostra o papel da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cuja linha levou bovinos aos trilhos para o Triângulo Mineiro a partir de 1889, com a estação de Uberaba inaugurada em 23 de abril de 1889.
- A linha da Mogiana em Uberaba fazia parte de um projeto da empresa para chegar a Catalão; o objetivo nunca se concretizou, e a rede chegou a outras cidades como Uberlândia e Araguari.
- Relatos do jornal O Paiz, em 1907, narram expedições de pecuaristas de Uberaba para comprar zebus no Rio de Janeiro, com atrasos, desembarque irregular e zebus mortos ou prejudicados.
- O acervo também traz histórias de importação de zebus da Índia para o Brasil, descrevendo o desembarque e a venda rápida dos animais em Uberaba; as linhas da Mogiana foram progressivamente desativadas após a crise de 1929.
O Museu do Zebu, instalado no Parque Fernando Costa, em Uberaba, Triângulo Mineiro, reúne relatos da criação de bovinos zebuínos e memórias ferroviárias ligadas à região. O acervo mistura fotos históricas, jornais centenários e objetos que ilustram a trajetória do gado e das ferrovias.
Entre as peças está a documentação sobre a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que transportou gado zebuíno até Uberaba a partir de 1889. A exposição destaca a importância desse corredor ferroviário para o escoamento da produção agropecuária.
O museu é mantido pela ABCZ, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, e completa o conjunto com relatos sobre pecuaristas locais que buscaram animais em outros estados e até no exterior. O objetivo é mostrar o pioneirismo da cidade nesse setor.
Trilhos da Mogiana e a chegada a Uberaba
A Mogiana inaugurou a estação de Uberaba em 23 de abril de 1889, integrada à linha do Catalão. Em anos seguintes, a rede avançou até Uberlândia e Araguari, conectando áreas estratégicamente importantes para o comércio de gado.
A linha Catalão pretendia levar o trem até Catalão, hoje a cerca de 211 quilômetros por vias modernas. O projeto, no entanto, nunca foi plenamente realizado, mantendo Uberaba como ponto-chave da malha fora de São Paulo.
A trajetória revela ainda o papel de estações como Jaguara, em Sacramento, que deixou de funcionar como ligação principal após a construção de uma hidroelétrica, reduzindo o tráfego entre São Paulo e Minas.
Acervo, jornais e relatos
O acervo do museu reúne relatos de iniciativas de pecuaristas de Uberaba para adquirir zebus puros no Rio de Janeiro, reportados pelo jornal O Paiz em 1907. Houve atrasos, perdas de animais e impactos no fluxo de recebimento nas casas de desembarque.
Fontes históricas trazem o relato de exportações de zebus da Índia para o Brasil, destacando os desafios logísticos da época. Em Uberaba, o desembarque de um carregamento de zebus ocorreu com sucesso, gerando lucro para os proprietários.
As linhas da Mogiana foram mantidas até a década de 1920, com o café paulistano impulsionando o crescimento da malha. Após a quebra da Bolsa de Nova York, o volume de exportações caiu e parte dos ramais foi desativada.
Visitação e programação
O museu funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h30, e aos sábados, das 8h às 12h. O espaço preserva a memória da cidade ligada ao gado zebu e à história ferroviária, apresentando contexto histórico e patrimônio regional.
O conteúdo apresentado é derivado de fontes históricas e da atuação da ABCZ na preservação do acervo, que busca contextualizar o desenvolvimento de Uberaba e o papel do transporte ferroviário nesse processo.
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