- Sally Gardiner, autora de livros infantis, alcançou grande sucesso, vendendo cerca de 2,5 milhões de cópias e ganhando prêmios, ao mesmo tempo em que fez compras extravagantes como uma banheira de £3.000 e viagens a Paris.
- No início dos seus quarenta e encontrou estabilidade financeira, passou a gastar de forma compulsiva e acumulou dívidas, chegando a vender a casa no norte de Londres.
- Mesmo após mudar para um apartamento menor, continuou a gastar dezenas de milhares de libras com um designer de interiores; uma amiga chegou a pedir aos funcionários das lojas para não venderem a Sally.
- O comportamento coincidiu com a prescrição de dopaminérgicos para síndrome das pernas inquietas, que aliviaram os sintomas sem mencionar efeitos psiquiátricos, gerando impulso constante de se mover e insônia crônica.
- Décadas depois, Sally percebe que o vício de compras foi causado pelo medicamento; a BBC aponta centenas de relatos de efeitos devastadores e ela afirma que a vida foi “sequestrada” e que enfrentará as consequências.
Sally Gardiner, autora de literatura infantil, viu sua carreira decolar após o lançamento de seu primeiro livro, no início dos anos 2000. Pessoas ao redor atribuíam seus gastos extravagantes ao sucesso recém-descoberto.
Entre os luxos, destacavam-se itens como uma banheira de £3.000, obras de Peter Blake e viagens a boutiques em Paris. Em meio a prêmios como o Carnegie Medal, ela relatou ter passado a ganhar muito bem.
Ela, hoje na casa dos 40, lembra ter sentido vergonha do próprio comportamento financeiro, ainda que ficasse viciada pelo efeito de dopamina gerado pelas compras. O consumo descontrolado ganhou escala.
O que começou como compras impulsivas evoluiu para dívidas expressivas. A família vendeu a casa no norte de Londres e mudou para um apartamento menor, mas o impulso permaneceu, com gastos elevados em decoração de interiores.
Conforme o consumo crescia, uma amiga chegou a percorrer lojas para pedir que não vendessem mais nada a Sally. A situação coincidiu com o diagnóstico de RLS, para o qual Sally passou a receber medicamentos dopaminérgicos.
O tratamento trouxe alívio imediato da condição, que causava agitação à noite. Contudo, apenas 20 anos depois, Sally percebe que o comportamento compulsivo esteve ligado à medicação, não a falhas de caráter.
Segundo a BBC, parte dos relatos recebidos, nos últimos anos, aponta para impactos devastadores das drogas dopaminérgicas: dívidas, rompimentos, problemas legais e até suicídio entre pacientes e familiares.
Os relatos destacam ainda gastos em excessos como coleções, roupas repetidas vezes compradas, e dependência de hábitos nocivos relacionados ao dinheiro. Em alguns casos, houve ocultação persistente das compras.
Apesar de a literatura infantil ter sido interrompida por uma obra erótica escrita sob pseudônimo, Sally afirma que só hoje reconhece a relação entre a medicação e as mudanças em sua vida. Não houve alerta suficiente do médico na época.
Ela procurou a BBC após ouvir o podcast Impulsive, da série BBC, anunciando que finalmente encontrou uma explicação para o que vivenciou. Sally também relatou indignação com a falta de monitoramento dos efeitos colaterais.
A autora relata que conviverá com as consequências do gasto excessivo pelo resto da vida. A história de Sally ajuda a expor como medicamentos dopaminérgicos, usados para RLS, Parkinson e outras condições, podem desencadear impactos financeiros e pessoais significativos.
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