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Borgonha acessível de Monthélie, Auxey-Duresses e Saint-Romain

Três vilarejos da Côte de Beaune — Monthélie, Auxey-Duresses e St-Romain — revelam vinhos de excelente relação custo-benefício e potencial pouco explorado

Monthélie, Auxey, St-Romain
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  • Três vilas — Monthélie, Auxey-Duresses e St-Romain — compõem um trecho da Côte de Beaune, conhecido como “behind the hill” por ficarem ocultas aos visitantes comuns.
  • Ficam ao sul de Beaune, na Hautes-Côtes, e dão acesso a áreas com premiers crus em Monthélie e vínculos próximos a Meursault.
  • Produtores destacados: Monthélie tem Domaine Eric de Suremain, Domaine Changarnier e Domaine Eric Boigelot; Auxey-Duresses, Maison Leroy, Lafouge e Domaine Pierre Vincent; St-Romain, Buisson e Chassorney.
  • Vinhos: Monthélie predomina tinto (cerca de oitenta e cinco por cento da produção), Auxey-Duresses tem branca expressiva pela proximidade com Meursault e St-Romain produz mais branco devido à elevação; clima mais quente tem deixado os tintos mais macios e os brancos mais persistentes.
  • Em St-Romain não há premiers crus, mas as vinhas em altitude entre duzentos e oitocentos metros produzem vinhos com presença e identidade distintas, reforçando o valor dos vinhos da região.

Monthélie, Auxey-Duresses e St-Romain formam uma tríade na Côte de Beaune, pouco explorada por visitantes que seguem apenas as rotas mais famosas. O objetivo é mostrar o potencial dessas vilas e seus vinhos, ainda acessíveis, mas de qualidade expressiva.

Localizadas um pouco fora do eixo principal, as três aldeias ficam no sudoeste da região, na Hautes-Côtes. Elas guardam vinhedos que se estendem por encostas íngremes, onde clima e solo favorecem variedades brancas e tintas com identidade própria.

Este article apresenta o que há para conhecer, quem são os produtores relevantes, quando visitar e por que vale a pena buscar esses vinhos além do eixo clássico. A ideia é oferecer uma visão prática para apreciadores interessados em Burgundês de valor.

Monthélie

Monthélie fica ao sul de Volnay, com vinhedos projetando-se pelas encostas da Côte de Volnay e na combe Danay. As encostas acidentadas abrem-se em uma paisagem que abriga duas áreas de premier cru.

Na fronteira com Volnay, voltadas para sudeste, ficam Sur la Velle e Champs Fuillots, fronteiros a Clos des Chênes. Do outro lado da combe, Les Clous e Les Duresses enfrentam leste, ao sul da encosta em direção a Auxey-Duresses.

Quem atua no mercado local tem passado por mudanças, com novas gerações trazendo práticas modernas sem abandonar a tradição. Vínculos históricos continuam relevantes para a produção na vila.

Entre os nomes a observar, o Domaine Eric de Suremain figura entre os mais antigos na região e manteve a gestão com a família, ampliando a atuação. O Domaine Changarnier, com raízes no século XVIII, segue sob comando de Claude Changarnier, com apoio de Fabrice Groussin e consultoria de renomados enólogos.

Outras referências importantes vêm de Meursault, como o Domaine Eric Boigelot, em que Charles Boigelot assumiu a produção em 2022 após trabalhar em casas premiadas. Essas vinícolas ajudam a consolidar Monthélie como referência de valor na Côte de Beaune.

Auxey-Duresses

Auxey-Duresses preserva o nome Les Duresses desde 1924, em uma área que se estende por três hamlets: Auxey-le-Grand, Petit Auxey e Melin. Os premiers crus concentram-se na zona mais próxima de Monthélie, com vinhedos que acompanham os contornos do terreno.

O coração da vila fica aos pés de Mont Milan, onde as slopes voltadas para o norte abrigam Le Châtelet du Mont-Milan, ponto de moradia desde a época neolítica. A tradição vitivinícola acompanha a história da região desde a era Galo-Romana.

Essa é uma área expressivamente branca, justificando a reputação de território de brancos que se conecta a Meursault. Os climas Les Boutonnières, La Macabrée, Les Hautés e Les Vireux protegem vínculos com Meursault, ampliando a variedade de estilos disponíveis.

Quem se destaca em Auxey inclui Maison Leroy, com presença histórica desde o século XIX e expansão sob a liderança de Lalou Bize-Leroy, que criou Domaine Leroy em Vosne-Romanée e Domaine d’Auvenay em St-Romain. Grande parte das vinhas de Auxey são incluídas nesses rótulos, embora nem todos sejam voltados ao conceito de “bargain Côte de Beaune”.

Domaine Lafouge, ativo desde 1650, aparece como uma opção que entrega boa relação custo-benefício, mantendo estilo tradicional, ainda que as safras recentes apresentem um perfil mais aberto. Outra aposta recente é Domaine Pierre Vincent, fundado por ex-enólogo da Leflaive, com vinhedos que vão de Auxey a Monthélie e até Corton.

St-Romain

St-Romain oferece uma sensação de isolamento, com vinhedos dispostos entre 280 m e 400 m de altitude. A vila, que se tornou conhecida pela cooper François Frères, ganhou maior notoriedade com Domaine d’Auvenay, fundado pela família Leroy.

A altitude influencia as vinhas, que acompanham a La Combe Bazin e áreas próximas, com orientação variando entre sudoeste para algumas parcelas e leste para outras, conforme a posição na encosta de St-Romain.

Não há premier cru no lugar, mas a produção é marcada por brancos de boa concentração e tintos que têm ganhado equilíbrio com o tempo. A aposta recente recai sobre produtores locais que mantêm a viticultura orgânica.

Entre as referências destacadas está Domaine Henri & Gilles Buisson, comandado por irmãos na oitava geração, com certificação orgânica e espírito experimental. Domaine de Chassorney, sob nova propriedade, mantém o estilo clássico e orgânico, ainda que tenha mudado de gestão.

Além disso, frentes de produção mantêm a tradição de négociants, como Frédéric Cossard, que continua influente com rótulos próprios, preservando o estilo antigo ao mesmo tempo em que busca inovações.

Como resultado, as vinhas de St-Romain combinam elevação, terroir diverso e uma oferta de brancos que se destacou pela persistência, mantendo o interesse de quem procura Burgundês de menor custo sem abrir mão de finesse.

Por que visitar

Os vinhos dessas vilas evoluíram com o aquecimento global, ganhando textura mais macia nos tintos de Monthélie e estrutura mais densa nos brancos de Auxey. Em St-Romain, a combinação de altitude e terroir confere personalidade aos brancos com presença marcante no paladar.

A região oferece diversidade de estilos, com produtores tradicionais e jovens enólogos buscando equilíbrio entre tradição e inovação. A acessibilidade de preço em relação a outras áreas da Côte de Beaune é um atrativo para quem busca Burgundês de qualidade sem ultrapassar o orçamento.

Fonte: guias de vinhos e notas de produtores locais.

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