- Kudzai Dombo, médica, descobriu aos 48 que estava em perimenopausa, com fadiga, irritabilidade e olhos secos.
- Mulheres negras costumam entrar na perimenopausa mais cedo, com sintomas mais graves, e apenas cerca de 1% usa reposição hormonal.
- Muitas vezes os sintomas são ignorados ou colocados como estresse ou peso, atrasando o tratamento.
- Dombo e Sharon Malone criaram a iniciativa de saúde para mulheres negras da Alloy, para facilitar acesso a informações e cuidado, incluindo telemedicina.
- Comunidades, como igrejas, passaram a promover espaços seguros para tirar dúvidas sobre menopausa, envolvendo também parceiros.
Kudzai Dombo, médica obstetra e ginecologista, passou meses sem dormir bem e sentindo irritação. Tentou remédios caseiros e marcou consulta com psiquiatra. A exaustão foi atribuída às longas jornadas de plantão, até que descobriu, aos 48 anos, que vivia a perimenopausa.
A percepção de Dombo mudou ao confirmar que a fase de transição pode trazer fadiga, dor nas articulações e alterações de humor, mesmo para quem tem acesso a boa atenção médica. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações à saúde.
Como as mulheres negras vivenciam a menopausa de forma diferente
Estudos indicam que, em média, mulheres negras entram na menopausa dois anos antes que mulheres brancas. A percepção dos médicos pode falhar em identificar a perimenopausa nessas pacientes, atrasando o tratamento.
A latência de diagnósticos pode ampliar riscos à saúde cardiovascular, já que ondas de calor não tratadas têm potencial de piorar condições como AVC e Infarto. A discrepância é tema de discussão em pesquisas e políticas de saúde.
Alloy, empresa de telemedicina voltada a mulheres, atua para reduzir essa lacuna. A iniciativa busca facilitar o acesso a informações e tratamento, especialmente para quem enfrenta barreiras históricas de cuidado.
Sharon Malone, obstetra e ginecologista, enfatiza que muitas pacientes têm seus sintomas desvalorizados. A médica também atua como assessora médica da Alloy, apoiando a educação de médicos sobre a perimenopausa.
Dombo, diretora de advocacy da Alloy, participa de ações comunitárias para levar a conversa sobre menopausa a espaços como igrejas. A ideia é criar espaços seguros para dúvidas sobre estrogênio vaginal, testosterona e opções de tratamento.
Vickie Franklin, enfermeira e coordenadora de programas de saúde da igreja First AME em Los Angeles, afirma que é preciso ampliar informações sobre menopausa entre mulheres negras. O objetivo é diminuir o sentimento de isolamento histórico no sistema de saúde.
Com iniciativas locais, a equipe de Alloy estimula a participação de companheiros nos debates, ajudando a entender mudanças como hipertermia noturna e alterações no humor. A intenção é promover apoio mútuo e busca por tratamento adequado.
Para entender o panorama, estudos mostram que as disparidades em saúde entre grupos racializados são alimentadas por desigualdades econômicas e discriminação. O tema envolve educação médica, acesso a terapias e informações confiáveis.
Entre na conversa da comunidade