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Belo Monte, após dez anos, continua sob críticas sociais e ambientais

Décimo aniversário de Belo Monte: comunidades do Xingu denunciam deslocamento, perda de pesca e reparações insuficientes frente aos impactos socioambientais

Usina de Belo Monte — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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  • Belo Monte completou dez anos desde a inauguração, com desvio de parte do fluxo do Rio Xingu para o reservatório, em um trecho de 130 quilômetros.
  • Famílias da região, como Élio Alves da Silva e outras 67, foram reassentadas; promessas de vila não foram cumpridas e houve perda de moradia.
  • A pesca, principal fonte de renda, diminuiu à medida que o volume de peixes caiu, levando mudanças na vida de pescadores da região.
  • Organizações sociais divulgaram carta aberta destacando violações aos povos do Xingu e citando parecer da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre obrigação de proteção e reparação diante da emergência climática.
  • A Norte Energia afirma que a usina atende cerca de 5% da demanda nacional, com picos de até 16%, e que mais de 8 bilhões de reais foram investidos em ações socioambientais, embora haja críticas de que poucas iniciativas resolveram os danos.

Após dez anos da inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, comunidades ribeirinhas e pescadores relatam impactos sociais e ambientais no Médio Xingu. O empreendimento foi inaugurado em Altamira, Pará, em 5 de junho de 2016, após décadas de debates e promessas de geração de energia.

Élio Alves da Silva, 70 anos, lembra a chegada da usina na região de Santo Antônio, em Vitória do Xingu. Ele foi um dos moradores deslocados e relata as mudanças no ecossistema local e na vida da comunidade. O projeto desviou parte do fluxo do Rio Xingu para formar o reservatório.

A memória de Silva contrasta com a realidade de 67 famílias que precisaram deixar o local. A promessa de uma vila para a comunidade não foi cumprida, e os moradores receberam apenas pequenas indenizações e moradias em áreas afastadas. A perda da base de pesca foi um dos impactos mais sentidos.

Sara Lima, moradora de Belo Monte do Pontal, em Anapu, também testemunha os efeitos. Embora não tenha sido deslocada, a família perdeu renda e segurança alimentar devido à redução de peixes no Xingu. Hoje, a água potável e a comida são menos estáveis do que antes.

Para marcar os 10 anos, várias organizações publicaram uma carta aberta defendendo povos indígenas, ribeirinhos e pescadores artesanais. A mensagem aponta agravamento de violações e destaca secas extremas em 2016, 2019, 2020, 2023 e 2024 como evidências dos impactos.

A carta cita a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que em 2025 reconheceu a obrigação de Estados lidar com a emergência climática como direito internacional. O parecer reforça proteção ambiental, reparação e soluções legais para comunidades afetadas.

Segundo a advogada Erina Gomes, do AIDA, o parecer fortalece uma queixa antiga que denuncia violação de direitos durante a construção. Ela afirma que Belo Monte é avaliada como um desastre socioambiental pela população do Xingu.

A Norte Energia, concessionária do empreendimento, afirma que a usina atende cerca de 5% da demanda anual de energia no Brasil, chegando a 16% nos horários de pico. A empresa diz já ter investido mais de R$ 8 bilhões em projetos socioambientais.

Entre os resultados citados pela concessionária estão a construção de hospitais, unidades de saúde e escolas, além de ações para comunidades indígenas. Organizações sociais, porém, argumentam que as iniciativas foram insuficientes para reparar os danos.

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