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Belo Monte: dez anos e críticas sociais e ambientais persistem

Décimo aniversário de Belo Monte: comunidades do Xingu exigem reparações e apontam impactos socioambientais persistentes

Retrospectiva 2025 - Foto feita em 08/01/2025 - No dia 5 de maio de 2016, foi inaugurada a Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte. Localizada no Rio Xingu, no Pará, sua capacidade instalada é de 11.233,1 MW, sendo reconhecida como a maior hidrelétrica 100% brasileira. O empreendimento utiliza, em seu reservatório principal, uma tecnologia preservacionista conhecida como fio d’água, o monitoramento das estruturas, previsto no Plano, é um dos mais bem equipados do país. Dispondo de 1.976 instrumentos, de 12 diferentes tipos, realiza-se uma avaliação periódica ao desempenho das estruturas de concreto dos 28 diques que conformam o Reservatório Intermediário e das barragens de Pimental e Belo Monte. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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  • Belo Monte completou dez anos desde a inauguração, com o projeto desviando cerca de oitenta por cento do fluxo do Rio Xingu em um trecho de aproximadamente cento e trinta quilômetros.
  • Comunidades próximas relatam alterações pesadas no ecossistema: queda na pesca, afastamento de dezenas de famílias e promessas de uma vila não cumpridas.
  • Em Altamira, Élio Silva recebeu uma pequena chácara, mas a família teve a moradia deslocada sem assistência financeira ou produtiva; herdou dependência de ajuda externa.
  • A carta aberta de organizações indígenas e de direitos humanos, em defesa das comunidades do Xingu, ressalta violações agravadas por mudanças climáticas e cita parecer da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece obrigação de responder à crise climática.
  • A Norte Energia afirma ter investido mais de R$ 8 bilhões em compromissos socioambientais, com serviços como hospitais, escolas e ações para comunidades; organizações avaliam que pouco foi efetivamente realizado e que as medidas não repararam plenamente os danos.

Após dez anos da inauguração da Usina Belo Monte, comunitários, organizações e órgãos internacionais destacam impactos socioambientais ainda ativos no médio Xingu. O empreendimento, aberto em Altamira (PA) há uma década, gerou debates sobre reparações, violações de direitos e segurança alimentar local.

Élio Alves da Silva, pescador da comunidade de Santo Antônio, Vitória do Xingu, relembra a chegada da usina na década de 1980 e as mudanças subsequentes. A construção envolveu circulação de empresas, derrubadas de veredas e detonações para testar viabilidade da barragem.

A data de referência é 5 de julho de 2016, quando Belo Monte iniciou operação, com o objetivo de desviar parte do fluxo do Xingu para atender ao reservatório. O projeto, concebido na década de 1970, ganhou notoriedade internacional pelo impacto no leito.

Mudanças no rio e na vida local

Silva aponta que a variedade de peixes diminuiu após as explosões, afetando a subsistência de famílias inteiras. Ao sair do local, ele recebeu uma pequena chácara perto de Altamira, mas sem assistência financeira ou produtiva adequada.

Sara Lima, moradora de Belo Monte do Pontal, em Anapu, também percebeu a queda de renda familiar, apesar de continuar no mesmo lugar. A comunidade enfrenta redução da capacidade de gerar alimento a partir do rio.

Violações e direitos humanos

Organizações como Aida, Cimi, Coiab e outros institucionais divulgaram carta aberta em defesa das comunidades ribeirinhas e indígenas do Xingu. O documento ressalta agravamento de violações associadas às mudanças climáticas e à vulnerabilidade local.

O parecer consultivo da Corte Interamericana de Direitos Humanos, reconhecido em julho de 2025, reforça a obrigação de proteção de populações afetadas pela crise climática. Medidas incluem ambiente saudável e reparação de danos.

Investimentos e reparações

A Norte Energia aponta que a usina atende cerca de 5% da demanda nacional, alcançando até 16% nos horários de pico. A empresa afirma ter investido mais de R$ 8 bilhões em compromissos socioambientais.

Entre resultados citados estão hospitais, unidades de saúde, escolas, ações para comunidades indígenas e reflorestamento de áreas extensas. Organizações sociais, porém, afirmam que as ações ficaram aquém das perdas.

Sara Lima resume o debate: a água abundante do passado não voltou, e as iniciativas de reparo não substituem o rio que existia. A narrativa atual envolve demandas por reparação completa e salvaguardas para futuras obras.

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