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Brasil registra novo recorde de feminicídios no 1º trimestre, 4 vítimas/dia

Brasil registra recorde de feminicídios no primeiro trimestre de 2026, com média de quatro vítimas por dia e alta de 7,5% ante 2025

Ato do Dia da Mulher em São Paulo destaca casos de feminicídio
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  • Entre janeiro e março de 2026, o Brasil registrou 399 feminicídios, alta de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025.
  • A média é de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero.
  • o estado de São Paulo teve o maior número, com 86 vítimas, após aumento de 41% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
  • Em sua maioria, os crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros: cerca de 59,4% pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex.
  • O governo lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e criou ações como o Centro Integrado Mulher Segura para fortalecer a proteção às vítimas.

O Brasil registrou 399 feminicídios no primeiro trimestre de 2026, alta de 7,5% ante o mesmo período de 2025. Foram janeiro a março, em média quatro mortes de mulheres por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou de misoginia. Os números são os maiores já apurados para um 1º trimestre na série.

O balanço, feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aponta maior pico absoluto em São Paulo, com 86 ocorrências. Em cidades paulistas, o aumento chegou a 41% na comparação com 2025. A alta também pode refletir melhoria na notificação de crimes de gênero.

Entre os casos, destaca-se o feminicídio de Gisele Alves Santana, 32 anos, morta a tiro em 18 de fevereiro no Brás, região central de São Paulo. O marido, coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso e aguarda julgamento. Ele sustenta a versão de suicídio atribuída à vítima, tese contestada pela perícia.

Aspectos legais e contexto institucional

Especialistas ressaltam que parte do crescimento decorre da melhoria na notificação de feminicídios nos registros oficiais. Pesquisadores apontam ainda que o machismo persiste como motivação principal, com maioria dos casos envolvendo relação de intimidade entre agressor e vítima.

A Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, passou a dispor como crime autônomo a partir de 2024, com penas de 20 a 40 anos, podendo chegar a 60 anos em situações agravadas. O aperfeiçoamento legal integra o pacote antifeminicídio, que ampliou punições e endureceu medidas protetivas.

Ações governamentais e redes de proteção

O governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio para fortalecer redes de proteção. O Ministério da Justiça anuncia projetos piloto que conectam tornozeleiras de agressores a relógios digitais usados pelas vítimas e a criação de um Centro Integrado Mulher Segura, para acompanhar casos de violência.

Dados do centro indicaram que 30% das mulheres que se submeteram a boletins de ocorrência contra o autor já tinham registro de denúncia em 2025. Em um caso analisado, uma mulher de 32 anos registrou 19 boletins ao longo de quase seis anos, com 15 ocorrências formais de violência doméstica.

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