- A artista britânico-algeriana Lydia Ourahmane apresenta uma mostra em Veneza vinculada à Bienal, explorando ideias e relações com o local.
- O destaque da exposição é um píer criado por artesãos locais, partindo de uma cooperação com a ilha de Poveglia, usada como lazareto e hoje objeto de resistência comunitária.
- Para acender as luzes da instalação, o público precisa inserir uma moeda de euro em uma máquina antiga da igreja de San Giovanni Crisostomo, que Ourahmane integrou à mostra.
- A mostra inclui, ainda, uma escultura feita a partir de 1,3 mil toneladas de lençóis de hotel venezianos, reaproveitados para a obra.
- A exposição dialoga com temas de história, colonialismo e imigração; fica na Fundação Nicolleta Fiorucci, em Veneza, de 5 de maio a 22 de novembro.
Lydia Ourahmane, artista britânico-algerina, apresenta em Veneza uma exposição que nasce na própria cidade. Em vez de transformar materiais locais em obra, ela constrói um píer junto à comunidade da ilha de Giudecca, com foco na ideia de reabsorção no mundo. A mostra acompanha a Bienal de Veneza, maior encontro internacional de arte.
A peça central é um píer desenhado com artesãos locais, criado para facilitar a amarração de barcos e o acesso à ilha de Poveglia. A coletividade local votou pela parceria logo após o encontro com a artista, que trabalha com uma produtora veneziana e uma curadora britânica para viabilizar o projeto.
A ideia de Ourahmane é evitar uma abordagem extrativista. Em vez de recolher materiais para a obra, ela escolhe colaborar com a comunidade e abandonar o caminho de simples aquisição. O resultado é uma produção que dialoga com a história de Poveglia, ilha da lagoa usada como local de quarentena e depois de hospital psiquiátrico.
Entre as peças do conjunto está uma máquina de moedas de uma igreja veneziana, que ilumina um quadro de Santo Jerônimo. A artista trocou a máquina antiga por outra, para acender a iluminação da mostra mediante o depósito de uma moeda. A mecânica funciona como convite para ver o trabalho, mantendo a peça sob custo de acesso.
A exposição também inclui uma escultura feita com 1,3 tonelada de roupas de cama de hotéis descarregadas de Veneza. A obra foi concluída com o apoio de produção local em Veneza e consolidou o interesse de Ourahmane por objetos que transportam histórias de migração, de conflito e de memória.
A trajetória da artista está entrelaçada com escolhas de vida que moldam sua prática. Nascida em Oran, com pai argelino e mãe malaia, Ourahmane vive entre Barcelona, Argel e outros lugares. Sua obra costuma revisitar temas como história, colonialismo e imigração, sempre em formato conceitual.
Ao longo de sua carreira, Ourahmane tem apresentado uma prática de reconfigurar regras e fronteiras. Um exemplo anterior envolveu transformar um colar de ouro de um vendedor em implante entre dentes, uma ação que evidenciou deslocamentos econômicos e migratórios. O resultado foi uma intervenção com forte carga simbólica.
5 Works by Lydia Ourahmane permanece em cartaz na Nicoletta Fiorucci Foundation, em Veneza, de 5 de maio a 22 de novembro, com a mostra vinculada à Bienal.
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