- Um casal em Belo Horizonte pediu petiscos no Bar do Dedinho e recebeu pratos queimados, com aparência diferente da imagem do cardápio, que era gerada por IA; a conta ficou em R$ 118.
- Lud Patrícia publicou as fotos nas redes e houve indignação de outros clientes com experiências semelhantes; o restaurante não respondeu aos pedidos da GQ Brasil.
- O Procon de São Paulo orienta que imagens geradas por IA em divulgação devem indicar que foram criadas pela tecnologia; sem esse aviso, pode haver propaganda enganosa.
- O advogado Washington Fabri afirma que o problema não é a IA em si, mas a relação entre o que é anunciado e o que é entregue; diferenças substanciais podem caracterizar propaganda enganosa.
- Plataformas de delivery adotam posicionamentos distintos: iFood recomenda usar imagens geradas ou melhoradas que mantenham coerência com o prato, e 99Food afirma não recomendar esse tipo de imagem nos cardápios.
No Bar do Dedinho, em Belo Horizonte, um casal relata decepção após itens do cardápio exibidos com imagens geradas por IA. Ludmilla Patrícia, designer, e o marido pediram pão de alho de provolone, espeto de tulipa de frango e outros pratos, que chegaram com aparência desigual e qualidade abaixo do esperado. Eles só perceberam que as fotos eram imagens criadas por inteligência artificial após o pedido.
Segundo Ludmilla, as porções seguintes também não corresponderam ao anunciado: almôndega com queijo duro, pão de alho com pasta seca de frango e carne com batatas que lembrava uma sopa. O garçom reconheceu a discrepância, a pedido de devolução, e a conta ficou em 118 reais. O casal divulgou as fotos nas redes, gerando indignação entre seguidores.
A reação gerou debate sobre a prática de usar imagens artificiais em cardápios, apps de entrega e redes sociais. Advogados e órgãos de defesa do consumidor destacam a necessidade de transparência sobre a origem das imagens e a correspondência entre o anúncio e o produto entregue.
O que acontece e quem envolve
A discussão envolve clientes, restaurantes e plataformas de entrega. Procon-SP orienta que imagens geradas por IA devem ser identificadas para não induzir o consumidor a erro. A recomendação é que haja aviso semelhante ao de imagem meramente ilustrativa, especialmente quando houver variações entre o retratado e o produto real.
O advogado Washington Fabri ressalta que o ponto central é a fidelidade entre a imagem anunciada e o que chega ao consumidor, não a tecnologia utilizada. Ele cita o risco de propaganda enganosa quando a diferença entre o anúncio e o item entregue é substancial.
Plataformas de delivery também se posicionam. O iFood orienta parceiros a usar imagens geradas por IA apenas se representarem com coerência o que será entregue, com relatos de inconsistência via aplicativo para apuração de sanções. A 99Food afirma não recomendar esse uso e monitorar fotos para que correspondam aos pratos.
Consequências e orientações
Especialistas destacam que o aviso de imagem ilustrativa não isenta o fornecedor da responsabilidade. Em caso de descumprimento, o consumidor pode exigir troca, reembolso ou abatimento no preço, mediante apresentação de provas como fotos, notas, ou prints do anúncio.
Para quem enfrenta situação semelhante, a orientação é formalizar a reclamação junto ao estabelecimento, pedir o cumprimento da oferta ou a devolução do valor. Caso não haja solução, registrar queixa no Procon local, com provas do anúncio e do produto recebido.
As imagens geradas por IA podem reduzir custos para negócios, mas elevam o risco de divergência entre marketing e a prática. A discussão continua entre consumidores, restaurantes e plataformas, com foco na clareza e na fidelidade das informações.
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