- Arthur Jafa e Richard Prince exibem juntos, em Veneza, na Fondazione Prada, uma mostra intitulada “Helter Skelter” que dialoga sobre o que é apropriado (e como apropriação pode ser vista).
- A curadoria de Nancy Spector destaca que os dois artistas sempre trabalharam com imagens de fonte externa, buscando desvelar valores de propriedade e cultura.
- A exposição coloca obras-chave de ambos em Duetos, como as “White Paintings” de Prince e filmes e instalações de Jafa, explorando violência, raça e memória cultural.
- A curadora explica que certos acenos a obras de Prince não estão no foco pedófilo, mas sim o uso de narrativas subliminares que emergem quando imagens são apropriadas.
- Parte da mostra reconfigura referências históricas, incluindo a retirada de Spiritual America de Prince por questões legais na Itália, substituída por uma obra de Stieglitz, mantendo o eixo da discussão sobre títulos, contexto e apropriação.
Arthur Jafa e Richard Prince apresentam juntos a mostra Helter Skelter no Fondazione Prada, em Veneza. A proposta questiona o limite do que é apropriado ao se apropriar de imagens. O tema guia a curadoria de Nancy Spector.
A dupla, conhecida pela prática de aproveitamento, dialoga com a história da apropriação na arte. Jafa afirma que o trabalho dele não seria possível sem o precedente de Prince, enquanto a curadora ressalta a curiosa afinidade entre as trajetórias.
O encontro surgiu de uma curiosidade mútua que amadureceu ao longo de anos, com encontros, textos e estudos que embasam a exposição. O respeito entre os dois artistas se manifesta na montagem de pares que cruzam referências de cultura negra, contracultura e linguagem visual.
Contexto
A mostra revisita o conceito de apropriação como prática criativa e crítica. Spector aponta que a exposição usa a ideia de violação de fronteiras para investigar valores, raça e propriedade na arte. O título Helter Skelter sugere caos organizado e leitura multifacetada.
Entre as obras em diálogo, estão dois trabalhos de Prince de 2006 e a peça de Jafa Big Wheel II (2018). A curadora descreve como as duplas ajudam a compreender as ligações entre prática, história e política da imagem.
Duetos e deslocamentos
A curadoria reúne pares que vão além da simples cópia, articulando referências de cultura marginal, classe trabalhadora e resistência. O conjunto enfatiza leituras sobre agressividade, violência simbólica e exploração de imagens para pensar a autoria.
Outra chave da mostra é Love Is the Message, The Message Is Death (2016) de Jafa, apresentada em uma instalação em caixa negra. Ao lado estão trabalhos de Prince que exploram fotografias e cenas de divulgação, com foco em estruturas de poder.
Rubricas históricas e mudanças de tema
A exposição também reordena referências históricas, incluindo a substituição de Spiritual America (1983) de Prince por uma versão de 1923 de Alfred Stieglitz, devido a restrições legais na Itália. A curadoria utiliza esse espaço para discutir título, contexto e ética da imagem.
Jafa e Prince aparecem como interlocutores dentro de uma narrativa que também contempla obras como BEN GAZARRA, uma versão ampliada de uma cena de Taxi Driver, adaptada para evitar controvérsia. A obra sinaliza como o cinema inspira a prática fotográfica e performática.
Espaço e leitura
O cenário é o palácio veneziano da Fondazione Prada, com intervenções que articulam interior e exterior. A curadora descreve o local como parte da obra, ampliando o sentido de diálogo entre arte norte-americana e espaço histórico-italiano. A montagem enfatiza circulação e percepção do visitante.
A mostra apresenta ainda instalações de Jafa que dialogam com peças de Prince, como The Entertainers (1982–83) e séries de fotografias de época. O conjunto evidencia como cada obra se conecta com as demais, revelando um fio comum de pesquisa e experimentação.
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