- Seis dias após a morte do artista Georg Baselitz, sua galeria abriu em Veneza a exposição final dele, intitulada “Eroi d’Oro” (Heróis de Ouro), no Fondazione Giorgio Cini.
- As obras são as últimas pinturas que Baselitz criou, consideradas por ele como uma forma de concluir ou resumir sua trajetória de mais de sessenta anos.
- As telas são grandes, com fundo dourado, sobre as quais surgem figuras finas em linha preta, às vezes retratando Baselitz ou sua esposa, Elke, vistas de cima.
- O dourado, segundo o artista, sugere espaço, sombras e uma dimensão quase espiritual, ao mesmo tempo em que o conjunto funciona como uma superfície impassível que “santifica nada.”
- Especialistas destacam que a abordagem encerra, ao mesmo tempo, um fim e um recomeço na obra de Baselitz, marcado pela constante vontade de recomeçar e explorar o desconhecido.
Georg Baselitz encerrou sua trajetória criativa com uma mostra em Veneza, concebida como seu último legado. O artista faleceu aos 88 anos, poucos dias antes, e a exposição “Eroi d’Oro” reúne as últimas obras que produziu.
Organizada pela galeria de Thaddaeus Ropac, a mostra fica na Fondazione Giorgio Cini, na ilha de San Giorgio Maggiore. As obras são grandes, com fundo dourado, e figuras finas sobrevivem em traços pretos, dispostas como se vistas de cima.
O conjunto sugere uma síntese da carreira de Baselitz, marcada por ruído estético e desvio de padrões. O dourado funciona como espaço e luz, ao mesmo tempo em que o traço figura a fragilidade do corpo em composições quase espirituais.
A exposição inclui um filme pré-gravado produzido para o projeto, em que o artista se refere às pinturas como o seu “último conjunto”. Em entrevista recente, Baselitz indicou que pretendia apresentar uma espécie de conclusão de sua trajetória.
Críticos e historiadores ressaltam que a série de ouro faz eco a tradições como retratos mumificados e ícones religiosos, mas o uso é deliberadamente secularizado. A leitura aponta para uma superfície impassível que não santifica nem explica, apenas encerra um ciclo.
Especialistas destacam a posição de Baselitz frente à história da arte: para ele, não basta somar resultados, é preciso questionar tudo para que uma obra apareça. A mostra é, segundo analistas, menos provocativa do que um giro definitivo pela carreira.
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