- A Meta informou aos funcionários dos Estados Unidos que rastrearia o que digitam, movem o mouse, clicam e veem na tela para treinar seus modelos de IA.
- Não havia opção de recusa no laptop corporativo, causando críticas e reação de indignação entre os trabalhadores.
- A empresa está pressionando cerca de 78 mil funcionários a adotar ferramentas de IA e prevê demitir 10% da força de trabalho, com cortes programados para 20 de maio.
- A Meta afirmou que existem salvaguardas para proteger conteúdo sensível e que os dados são usados apenas para treinar IA, negando riscos de vazamento.
- O movimento da Meta ocorre em meio a um impulso mais amplo de IA no setor, com outras empresas de tecnologia anunciando demissões ou planos de redução de quadro.
Em uma comunicação interna revelada à imprensa, a Meta informou aos seus cerca de 78 mil funcionários nos Estados Unidos que começaria a rastrear atividades em computadores corporativos. O objetivo é coletar dados de uso para treinar modelos de IA da empresa.
Segundo a empresa, o monitoramento abrangeria o que os funcionários digitam, passam o mouse, clicam e veem na tela. A Meta afirma que há salvaguardas para proteger conteúdo sensível e que os dados não seriam usados para outros fins.
A reação interna foi de desconforto e insatisfação. Funcionários questionaram a falta de opção de recusa e a utilidade do rastreamento para tarefas rotineiras no ambiente de trabalho. A direção respondeu que o recurso é parte de um programa de IA.
A Meta também está pressionando seus times a adotar ferramentas de IA e avaliou usar a tecnologia em avaliações de desempenho. Além disso, anunciou cortar cerca de 10% da força de trabalho para financiar investimentos em IA, uso que intensifica a ansiedade entre funcionários sobre demissões.
A expectativa de demissões já havia causado tensão, com relatos de que os desligamentos poderiam ocorrer em 20 de maio. Trabalhadores atuais e ex-funcionários indicaram que muitos buscam oportunidades fora da empresa ou sinalizam interesse em ser demitidos para receber indenizações.
Especialistas ouvidos pelos veículos de imprensa analisam o momento como um reflexo de como a IA redefine o dia a dia de trabalho. A professora de sistemas de informação da Universidade de Washington aponta a ausência de um manual para a IA no ambiente corporativo, destacando maior demanda por produtividade.
Em resposta, a Meta afirmou que o rastreamento de uso serve para treinar produtos de IA, com salvaguardas para dados sensíveis e sem fins diversos. A empresa já havia discutido internalmente iniciativas de IA desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, e vem expandindo seus laboratórios de IA.
A Meta realizou ações de formação interna em março, com semanas dedicadas a transformar funcionários para o uso de ferramentas de IA e agentes autônomos, segundo relatos de pessoas próximas à empresa. Painéis internos também teriam sido criados para monitorar o consumo de “tokens” pelos funcionários, segundo fontes.
A controvérsia sobre privacidade e monitoramento acontece num momento em que outras grandes empresas de tecnologia anunciaram demissões ou programas de saída voluntária para financiar investimentos em IA, refletindo uma transformação estrutural no setor.
Entre na conversa da comunidade