- Bruno Bischofberger, dealer de arte e colaborador próximo de Warhol e Basquiat, morreu aos 86 anos; a galeria em Zurique confirmou a morte no fim de semana.
- A Galeria Bruno Bischofberger, fundada em 1963, ajudou a levar artistas norte-americanos para a Europa e é considerada referência no mercado suíço.
- A galeria ficou conhecida por anúncios na contracapa da revista Artforum desde meados dos anos oitenta.
- Bischofberger teve relação próxima com Warhol, participação em projetos como a compra de obras, produção de filmes e a ideia de retratos de pessoas do círculo do artista.
- A parceria com Warhol incluía ainda a relação com Basquiat, com trabalhos colaborativos que tiveram importância histórica; Warhol chegou a pintar para a filha do dealer em 1982.
Bruno Bischofberger, figura-chave do mercado de arte e dealer próximo de artistas como Warhol e Basquiat, morreu aos 86 anos. A galeria que leva seu nome, sediada em Zurique, confirmou a morte no último sábado.
Fundada em 1963, a Galerie Bruno Bischofberger tornou-se referência ao levar artistas norte-americanos ao cenário europeu, exercendo grande influência no mercado global. A galeria mantém uma presença marcante na imprensa de arte e é considerada uma das mais importantes da Suíça.
Além das exibições, a galeria ficou conhecida por anúncios na página de atrás da revista Artforum, prática mantida desde meados dos anos 1980. A presença de Bischofberger foi difundida pela crítica, que destacou a consistência estética de sua atuação.
Relações com Warhol e Basquiat
A relação com Andy Warhol foi além de comercial. Bischofberger descreveu-se como amigo e colaborador próximo ao longo de décadas, contribuindo para a trajetória do artista. Eles se conheceram em Nova York, em 1966, e logo consolidaram uma parceria estratégica na aquisição de obras.
Em 1969, o dealer adquiriu 25% de participação na revista Interview, cofundada por Warhol, e, em 1970, atuou como produtor do filme L’amour, de Warhol. O impulso criativo do empresário também incluiu incentivar retratos de pessoas do círculo de Warhol.
Em 1984, a proposta de reunir Warhol e Basquiat para uma série de pinturas colaborativas ganhou corpo, após vínculos já estabelecidos entre os artistas. As obras resultantes elevaram a relevância de Warhol ao abandonar a pintura no início dos anos 60, segundo registros históricos da época.
Legado e vida pessoal
O envolvimento de Bischofberger com Warhol chegou a inspirar até elementos em obras assinadas pelo próprio colecionador, com relatos de uma obra pintada para a filha Cora, em 1982, com participação de Warhol. A relação com Basquiat também foi central, com o dealer atuando como representante próximo durante boa parte da vida do artista.
Nascido em 1940, em Zurique, Bischofberger estudou história da arte, etnografia e arqueologia na Universidade de Zurique. Casado desde 1971 com Christine, conhecida como Yoyo, ele teve três filhas e um filho, Magnus. Warhol foi padrinho do filho, enquanto o escultor Jean Tinguely foi padrinho de uma das filhas, Nina, que hoje atua como arquiteta.
Ao longo dos anos 1960 e 1970, a galeria promoveu exposições de Warhol, Tinguely, Richter, LeWitt, Judd, Caro e Nauman. Nos anos 80, estrearam Basquiat, Clemente, Schnabel e outros nomes relevantes.
Infraestrutura e expansão
A partir da década de 2000, Bischofberger consolidou uma grande coleção de objetos de design de artistas como Le Corbusier e Jean Prouvé. Para acomodar o acervo, adquiriu parte ou a totalidade de um antigo complexo industrial em Zurique, que passou a abrigar galeria e espaços de exposição. Em 2015, o centro foi inaugurado com uma mostra de Miquel Barceló.
A família mantém a gestão do espaço com a participação de Nina Baier-Bischofberger e Florian Baier, que lideram um escritório de arquitetura dedicado ao complexo. A própria filha contribuiu ao descrever o perfil do pai, reconhecido por sua visão ambiciosa e pela gestão de um acervo vasto.
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